" Ser governado é... Ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, parqueado, endoutrinado, predicado, controlado, calculado, apreciado, censurado, comandado, por seres que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude (...). Ser governado é ser, a cada operação, a cada transação, a cada movimento, notado, registrado, recenseado, tarifado, selado, medido, cotado, avaliado, patenteado, licenciado, autorizado, rotulado, admoestado, impedido, reformado, reenviado, corrigido. É, sob o pretexto da utilidade pública e em nome do interesse geral, ser submetido à contribuição, utilizado, resgatado, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; e depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, multado, vilipendiado, vexado, acossado, maltratado, espancado, desarmado, garroteado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, no máximo grau, jogado, ridicularizado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis a justiça, eis a sua moral!

domingo, 31 de janeiro de 2010

1931: Entrevista Com Ex-Cangaceiro do Bando de Lampião

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Rostand Medeiros (*)

"A Notícia", 8 de março de 1931. (clique sobre a imagem para ampliá-la)

Durante o período de atuação de Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião” como chefe cangaceiro, chama a atenção de quem deseja conhecer a sua história através dos jornais, a quantidade de notícias que se pode encontrar na hemeroteca do Arquivo Público do Estado de Pernambuco. Em alguns dos muitos jornais que circulavam em Pernambuco no período compreendido entre os anos de 1918 a 1938, quase todos os dias, principalmente entre os anos de 1922 e 1933, é difícil não se encontrar alguma notícia sobre o “rei do cangaço” e o seu bando.
Muitas das antigas coleções destes jornais, provenientes de diversos pontos do estado de Pernambuco, estão devidamente encadernados e abertos à pesquisa, que pode ser feita de forma tranqüila, com pessoal especializado assessorando os pesquisadores, farto material, seguindo regras básicas de manuseio e correta utilização. Localizado na Rua do Imperador D. Pedro II, número 371, no bairro de Santo Antônio, próximo ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo pernambucano, esta repartição pública é um verdadeiro oásis de informações, onde aqueles que desejam se aprofundar nas pesquisas sobre o cangaço, certamente deverão sair com alguma nova informação.
Recentemente estive em Recife para mais uma pesquisa sobre o cangaço neste local. Manuseando cuidadosamente o grande volume onde estão encadernadas as edições do primeiro semestre de 1931, o jornal recifense “A Notícia”, na edição do dia 8 de março, que em meio a muitas notícias da famosa e malfadada tentativa do capitão-aviador Chevalier, de utilizar um avião para dar combate a Lampião e seu bando no interior da Bahia, na primeira página, traz uma nota que chama a atenção pelo título; “Lampião, O soberano Sinistro - Um Ex-Companheiro do Famoso Cangaceiro, Faz Interessantes Declarações a Imprensa Carioca”. O jornal pernambucano transcreve uma reportagem do periódico carioca “Jornal de Notícias”, com uma entrevista do então soldado do exército brasileiro, Otaviano Pereira de Carvalho. Ele é apresentado em relação a Lampião como “um homem que conhece os esconderijos, os seus processos, as suas táticas”. Otaviano, que dizia haver nascido na cidade cearense de Iguatu, estava agora, segundo o jornal, “incorporado à civilização”, não informou como se deu a sua entrada no bando.
Afirmou que “Lampião era um bom homem, que vivia na espingarda, mas era educado, possuía gestos de generosidade, distribuía dinheiro com os pobres, os cegos e falava pouco.” Otaviano informou que “no assalto a casa da baronesa o cangaceiro teria conseguido a fortuna de 150 contos de réis, brilhantes, rosários de ouro, onde o rosário principal estaria com uma suposta amante de Lampião, que vivia na fazenda do Maxixe, em Pernambuco”. Informa o modo como “a ação ocorreu através de um falso cortejo fúnebre que entrou na vila pela manhã cedo, onde as armas são retiradas de uma rede que supostamente traria um defunto, passando o grupo a atacar a casa do delegado e exterminam a vida deste militar”. Seguramente este pretenso ex-cangaceiro comentava sobre o famoso assalto ocorrido em 26 de junho de 1922, a casa da senhora Joana Vieira Sandes de Siqueira Torres, a Baronesa de Água Branca, moradora desse município alagoano, homônimo ao seu título de nobreza. Fato este que gerou forte publicidade para a atuação de Lampião e do seu bando.
Mas quem seria a amante da “fazenda do Maxixe”, em Pernambuco? Seria então Maria Bonita, que depois se deixou fotografar com o rico objeto?
O ex-cangaceiro Otaviano em nenhum momento fala algo negativo sobre seu suposto ex-chefe. Já em relação ao irmão deste, Levino, não nega palavras desaforadas; “Levino é um impossível. Eu queria ter um tostão, por cada moça que ele deixou a toa. É malvado. Mata só para ver a queda”.
Sobre os protetores e coiteiros de Lampião, o então militar narrou que um certo “Véio Praxedes”, que vivia próximo a Custódia, em Pernambuco, lhe guardava muitas munições. Sobre as armas comentou que “os fuzis do bando sempre eram utilizados serrados, tornando o armamento mais leve e ágil na sua utilização. O armeiro que deixava as armas preparadas seria um certo ferreiro de nome Zuza, do município cearense de Jardim, localizado na fronteira de Pernambuco”.
Comentou que “o melhor esconderijo de Lampião fica na Serra da Forquilha”, que teria sido descoberto pelo então falecido cangaceiro paraibano Cícero Costa. No local, Otaviano informou existir um precioso caldeirão de água.
Sobre a medicina típica do bando, ele comentou que “para ferimentos de bala, Lampião e seus comandados utilizavam água de caroá para lavar o ferimento, depois colocavam leite de favela e entre quatro a cinco dias a ferida cicatrizava satisfatoriamente”.
A reportagem enalteceu o comentário de Otaviano sobre o fato de Lampião não haver perseguido em 1926 a Coluna Prestes, na época do governo Artur Bernardes,. Disse que o ex-chefe era francamente favorável às revoluções no país, pois nestes períodos aproveitava para “descansar das perseguições”.
Sobre a propalada pontaria de Lampião, o jornal transcreveu as palavras do militar sertanejo na íntegra; “com um oio só faz o servicinho mío do que com dois oio”. Perguntado se ele era valente, comentou que Lampião “não tem preguiça de brigá, não”.
Já sobre de onde surgiu à alcunha de Virgulino Ferreira da Silva, o ex-cangaceiro comentou sobre uma interessante tese. Segundo ele, em uma ocasião que Virgulino estava na vila pernambucana de Nazaré, local de onde surgiram seus mais ferrenhos perseguidores, ele teria feito um grande escarcéu, “quebrando todos os lampiões que existiam no lugar” e daí surgindo o nome que tornaria este cangaceiro famoso.
Sobre a ação da polícia, chama a atenção os extensos e satisfatórios comentários feitos pelo ex-cangaceiro Otaviano, sobre a valentia e a forma de agir do então capitão Lucena, da polícia alagoana. Era o mesmo oficial José Lucena que em uma desastrada ação policial ocorrida em território alagoano, no ano de 1921, assassinou o pai de Virgulino, o pacato José Ferreira.
Durante toda a entrevista, Otaviano Pereira de Carvalho em nenhum momento comenta o seu nome como ficou conhecido no meio dos cangaceiros. Sua entrevista chama atenção pela falta de fotografias do entrevistado, maiores dados sobre o militar Otaviano no Exército Brasileiro e outras notas dissonantes. Seria para se proteger?
Não podemos esquecer que em 1931, o militar e político cearense Juarez Fernandes do Nascimento Távora, havia comandado as forças nordestinas que apoiaram Getúlio Vargas na implantação do movimento revolucionário de 1930 na região e ganha o apelido de “Vice-Rei do Norte”. Távora e a Revolução de 1930 desejavam alterar as bases políticas e econômicas existentes então no sertão nordestino, retirando tudo que representasse o atraso, daí se enquadravam desde os coronéis aos cangaceiros. Neste sentido, uma entrevista com um ex-cangaceiro, agora militar do Exército Brasileiro, mesmo que falsa, servia de maneira extremamente positiva ao novo regime.
Mas se Otaviano Pereira de Carvalho fosse realmente quem ele afirmava ser na entrevista? Aí só mais outras pesquisas para corroborar, ou não, a reportagem de capa do jornal pernambucano “A Notícia”, do dia 8 de março de 1931.
Evidentemente que aqueles que desejam trabalhar com a pesquisa histórica, seja em relação ao cangaço ou outros assuntos, venha a informação pesquisada oriunda de fontes orais ou documentais, conseguidas através de um diálogo com um informante, ou em uma hemeroteca de algum arquivo, não é nenhuma novidade comentar que o material analisado deve ser sempre visto com ressalvas e exaustivamente analisado.
Entretanto visitar arquivos, em um futuro não muito distante, deverá ser a principal forma de se pesquisar sobre o cangaço, pois enfim, o tempo não para, pois as testemunhas do cangaço estão seguindo seu caminho natural.

06 Feb 210 - Make Capitalism History - Just do it!



Poverty is not just caused by government policies – it’s caused by the global economic and political system. Mega-rich banks are sucking the people of the world dry. Unemployment has reached an all time high, personal tax is now staggering and still the banks are managing to pay themselves record bonusses without any real attempt from the government to block this.

This domination of the world market by the banks and the big monopoly companies has a name: imperialism. A handful of robber nations, whose capitalists have saturated their domestic market, seek to make super-profits from the rest of the world.

Destroy the IMF, WTO and World Bank!
These undemocratic – and therefore unreformable – institutions of neoliberalism must be broken up. They serve no one’s interests except the rich and powerful corporate bosses.

On the 6th of Feb 2010 groups from all over the world will be joining to storm into their financial districts and make capitalism history.

We ask that you all take part in your own capitals and help our voices to be heard!

Information on location and times:

http://www.antifa.fr/worldwide

http://www.facebook.com/event.php?eid=260818433540&index=1
(ENGLISH)

http://www.facebook.com/group.php?gid=236955989937&ref=mf
(GREEK)

http://www.facebook.com/group.php?gid=290989276194&ref=mf
(FRENCH)

http://www.facebook.com/group.php?gid=315053189967
(ITALIAN)





JOIN US - JUST DO IT !!

domingo, 24 de janeiro de 2010

HOMEM & MULHER



É certo que os Opostos se atraem Porem Oposto é Oposto! E para que serve os Roseirais????
http://zkdiniz.blogspot.com/

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Onde Encontrar Cordel em Sao Paulo


Apesar de São Paulo ser a cidade onde se localiza a Editora Luzeiro, a mais antiga do gênero em atividade no Brasil, ainda há grande dificuldade entre aqueles que buscam adquirir folhetos de cordel.

Parte desta dificuldade foi sanada por um migrante nordestino: o paraibano Severino Silva (foto), que se tornou, há cerca de um ano, agente da editora.

Abaixo, uma relação dos locais onde é possível achar os clássicos e as novidades do catálogo Luzeiro, inclusive por encomenda:

1. Banca Praça Ramos (centro)
2. Banca Pato (Praça da Sé)
3. Banca DPX (Praça Ramos de Azevedo)
4. Banca das Apostilas (Pátio do Colégio, ao lado da Praça da Sé)
5. Banca São Bento (Rua Barão de Itapetininga, Centro)
6. Banca Viaduto do Chá (Centro)
7. Banca Deus é Luz do Meu Caminho (Estação Guilhermina Esperança do Metrô)
8. Banca Corredor Praça Dom José Gaspar, 106
9. Banca São Francisco (Viaduto do Chá)
10. Banca JC (Rua Fortuna de Minas, Jd. Santa Maria)
11. Banca Maktub (Largo da Concórdia, Brás)
12. Banca General Carneiro (altura do nº. 167, Centro)
13. Banca Emília (Praça Dom José Gaspar, Av. São Luís, Centro)
14. Banca Viana (Largo da Concórdia, ao lado da estação de trem do Brás)
15. Banca Dom José Gaspar (Centro)
16. Banca Antônio Prado (Praça Antônio Prado, Centro)
17. Banca Guilhermina Esperança (Metrô Guilhermina Esperança)
18. Banca Barão (Barão de Itapetininga, República)
19. Banca Mário de Andrade (Centro, ao lado da Praça dom José Gaspar)
20. Sebo José de Alencar (Rua Quintino Bocaiuva, 285, Centro)

Cordel, resistência e vanguarda




por Aderaldo Luciano

O complô das elites brasileiras contra o cordel é algo que salta aos olhos. Sempre visto como subpodruto literário, relegado à margem, proibido de frequentar a roda literária dos doutores, nem por isso o cordel curvou-se, pelo contrário, estabeleceu-se de tal forma que podemos identificar sua couraça resistente, adornada com os adereços da vanguarda. Resistência porque enraizada na mais profunda camada da terra brasileira, com raízes bulbosas a colher insistentemente os nutrientes literários fundamentais, e vanguarda por estar sempre à frente na agilidade, criatividade e descoberta (...) .

sábado, 26 de dezembro de 2009

O TEMPO

O TEMPO CICATRIZA AS PIORES FERIDAS,
E DESTROÍ OS MAIS BELOS AMORES.

Da água ao álcool,do amor ao ódio, da paz a guerra


Sentimentos que altera toda minha percepção,

Transformo-me em um pobre cão sem razão, a deriva. De um mar de ilusão,

Que nado contra maré, afogado nessa comunidade ralé!

Esse é o pobre poeta que vos fala de seus sentimentos sem sentidos. A quem ler não demonstra qualquer sentindo, nem nexo,

Afinal tudo isso é mesmo um problema complexo.

Escrevo para o alcoólatra, o depressivo, o poeta de bar.

Que entende essas palavras, nem é preciso decorar,

Pois vos falo de uma alma que transmite todo o sentimento, a dor, ilusão,

Desses seres, que ao ver da sociedade são sem razão!

Porém, estou aqui para provar, que quem critica é aquele que não tem coração.

Quem nunca sofreu? Escarre o primeiro catarro amarelo, atire a primeira garrafa,

Apague o último cigarro e mande tomar no CÚ! O garçom chato e encerre sua farra.

Pois esses inúteis não são dignos de sua companhia e seus delírios ébrios e sinceros.