" Ser governado é... Ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, parqueado, endoutrinado, predicado, controlado, calculado, apreciado, censurado, comandado, por seres que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude (...). Ser governado é ser, a cada operação, a cada transação, a cada movimento, notado, registrado, recenseado, tarifado, selado, medido, cotado, avaliado, patenteado, licenciado, autorizado, rotulado, admoestado, impedido, reformado, reenviado, corrigido. É, sob o pretexto da utilidade pública e em nome do interesse geral, ser submetido à contribuição, utilizado, resgatado, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; e depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, multado, vilipendiado, vexado, acossado, maltratado, espancado, desarmado, garroteado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, no máximo grau, jogado, ridicularizado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis a justiça, eis a sua moral!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

(ENTREVISTA) Marco Haurélio: um dedo de prosa sobre o cordel e o sertão

Por: Paula Ivony Laranjeira

Numa prosa quase um causo, vamos conhecendo Marco
Haurélio, um escritor do sertão baiano que na infância
brincava de ser cordelista. E o que era brincadeira,
tornou-se coisa séria. Hoje ele é referência no escrita e
estudo em literatura popular. Morando atualmente em
São Paulo não deixa de frisar que tem as raízes no
sertão: "E eu agradeço a Deus todos os dias o ter
nascido num pedaço do sertão-mundo de Guimarães
Rosa." Convido os amigos para puxar uma cadeira,
sentar e tomar parte neste causo...

PILS - Quem é Marco Haurélio?


MH: Essa eu posso responder em versos
O meu nome é Marco Haurélio,
Eu sou filho da Bahia.
Ser poeta popular
É minha grande alegria,
Pois vou tecendo universos
Em letras que parem versos,
Estrofes e poesia.

Sou poeta mais voltado para o universo da literatura
de cordel, pesquisador da cultura popular brasileira e,
neste momento, “estou” editor da Nova Alexandria,
de São Paulo, onde coordeno a coleção Clássicos em Cordel.

PILS - A partir de sua experiência, como nasce o escritor?


MH: O leitor engendra o escritor.
A minha experiência inicial foi com o
cordel. Antes de saber ler, já o ouvia
na bela voz de minha avó, Luzia Josefina,
que sabia vários textos de cor. Havia uma
gaveta de um armário, onde ela guardava os
clássicos do cordel da editora
Prelúdio/Luzeiro e de tipografias nordestinas
. Eu pegava três títulos para ler no
“olho” do umbuzeiro que tinha no quintal.
Tinha, não. Tem. O que não tem mais é a
casa. Também gostava de ouvir os contos
tradicionais e os romances ibéricos,
preservados por sua prodigiosa memória.
Aos 9 anos li, numa versão adaptada, As
Viagens de Gulliver, de Swift. Reli pelo
menos umas dez vezes. Nessa época eu
já criava algumas histórias em cordel, fixava
no papel os contos tradicionais e desenhava
uns quadrinhos toscos, depois vendidos a colegas de escola.
PILS - Você foi um garoto que aos sete
anos já escrevia história de cordel, O
soldado traidor. Na adolescência enviou
uma história para tentar publicação
na editora Luzeiro, a qual foi recusada.
Hoje o garoto nordestino que sonhava
ser cordelista se tornou um fato, e
diga-se, de sucesso. Então, persistência
e dedicação são o diferencial?


MH: Com certeza. Eu não escolhi a literatura
de cordel. Fui escolhido por ela. Mas, com o
passar do tempo, mesmo sem me afastar
totalmente, acabei dedicando meu tempo
a outras searas do fazer artístico e da pesquisa.
Isso foi importante, pois, além do cordel,
escrevo artigos e ensaios em outras áreas,
como História, Antropologia e Filosofia. Além
de ter alicerçado meus estudos sobre o
Folclore, dedicando especial atenção ao
conto popular. Persistência e dedicação são,
portanto, fundamentais.

PILS - Você é natural de Riacho de Santana,
passou a maior parte da vida entre Igaporã e
Serra do Ramalho, estudou o Ensino Superior
em Caetité, todas cidades do sertão da Bahia.
Como estas diferentes e ao mesmo tempo,
mesmas realidades contribuíram para o seu
trabalho literário?


MH: Nasci na Ponta da Serra, entre Igaporã e Riacho.
Você sabe que, na nossa região, para todo lado que
se olha, só se vê serra. A criança precisa imaginar o
que tem além das serras. Em frente à casa em que
nasci está a igreja construída por meu bisavô, o
Major Ramiro. Aos cinco anos, meus pais se
mudaram para Igaporã, onde estudei da primeira à
quinta série. Nesse período, perdi os meus bisavós
paternos e, em 1984, meus pais voltaram a morar
na Ponta da Serra. Nesse período, eu já sabia o
que queria fazer. Eu não sabia se “escritor” era
ou não profissão, mas, louco que era, decidi que,
um dia, viveria das letras. A realidade descrita
por você, nesse caso, exerceu sobre mim uma
grande influência. O ambiente, sabemos hoje, não
determina, mas condiciona E eu agradeço a Deus
todos os dias o ter nascido no num pedaço do
sertão-mundo de Guimarães Rosa.


PILS - Ao percorrer sua bibliografia se percebe
que você escreve de forma diversificada: cordel,
contos, teoria; e para diferentes faixas etárias,
mas sempre voltado para a literatura e cultura
popular. Como nasceu seu interesse por essa
vertente literária?


MH: Acho que duas pessoas têm grande “culpa”
por eu ter trilhado esta senda. De uma eu já falei.
É a minha avó, D. Luzia, a melhor professora que
já tive. A outra é o folclorista, historiador e etnógrafo
Luís da Câmara Cascudo, que, por quase cem
anos, iluminou esse planeta. A obra monumental
de Cascudo é a súmula da cultura nacional.
Jamais haverá, no Brasil ou em qualquer outro país,
pesquisador mais prolífero.

PILS – Sua ficha bibliográfica já é bem extensa.
Apresente-nos alguns dos seus livros.

A Lenda do Saci-Pererê em cordel, adotado pelo SESI Mauá
















MH:
Gosto demais de minha produção de cordel
em folhetos. O meu favorito é As Três folhas
da Serpente, baseado num conto menos conhecido
dos Irmãos Grimm, enriquecido com referências
sutis a antigos ritos funerários e da fertilidade,
estudados por Wallis Budge, James Frazer e
Vladimir Propp. No campo da literatura infantil
e juvenil, tenho vários títulos publicados e outros
tantos no prelo. Todos têm por base o cordel
ou a cultura popular. Contos Folclóricos
Brasileiros e Contos e Fábulas do Nosso
Folclore são minha principal contribuição,
por enquanto, à cultura popular brasileira.
O meu xodó agora é a antologia Meus Romances
de Cordel, publicada pela Global, que reúne
sete títulos, escritos em diferentes etapas de minha
caminhada poética.


PILS - Em Contos Folclóricos Brasileiros você
traz uma coletânea de contos populares
coletados na região. São os típicos causos
que escutamos dos avós, pais, amigos, etc.
considerados, muitas vezes, como algo de
menor valor. Mas você fez um estudo detalhado
de comparação com outras versões existentes
já classificadas no ATU, demonstrado que os
contos orais que circulam por aqui tem raízes
em outras culturas. Fale um pouco sobre esse trabalho.


MH: Boa parte dos contos reunidos neste livro foi ouvida
na infância. Outros fazem parte de um trabalho mais
recente, que inclui recolha, transcrição e estudo
das variantes e versões. São, com as naturais
modificações impostas pelo tempo ou pelo espaço,
as mesmas histórias contemporâneas da Índia dos
Vedas ou no Egito dos faraós. Alguns serviram
de fonte para autores como Shakespeare, Boccaccio
, Rabelais etc. Derivam, em alguns casos de
mitos formadores. Em outros, explicam muito
sobre os diferentes estágios civilizatórios. São,
em suma, o retrato da alma coletiva.

PILS - Ano passado, além de Contos Folclóricos
Brasileiros, você lançou o livro Breve Histórico
da Literatura de Cordel. Como é trazer um
livro de teoria sobre o cordel num país em que
ele, supostamente, é visto como algo menor?


MH: Acho que ele existe mesmo por conta disso.
Apesar de estar na base da formação cultural do
Brasil, o cordel sempre foi visto como literatura
menor, especialmente no meio acadêmico.
O poeta de cordel, de certa forma, se acomodou
e aceitou o papel que lhe era destinado. Aceitou,
inclusive, o gueto da “poesia popular”, determinado
por Patativa do Assaré no poema matuto “Cante
lá que eu canto cá”. Mas, mesmo assim, há
vozes dissonantes: autores que têm consciência
do papel identitário da arte que professam, o que
não significa submeter-se á camisa de força
linguística ou ao confinamento geográfico.

PILS - Você usa a expressão “gueto da ‘poesia
popular”, . Em Crítica sem juízo, Luiza Lobo
traz uma citação de Miriam Alves na qual se
refere à literatura de temática afro. Ela diz:
“o que nós poetas negros vivemos hoje não
é um gueto. Gueto é quando se é segregado
pelos outros. Hoje nós vivemos o quilombo; a
revolta que nós mesmos provocamos (...)”.
Assim, cogito: Patativa não estaria se referindo
a este espaço que Mirian chama de “quilombo”,
ou seja, um lugar escolhido, no qual se
busque a preservação da identidade e a própria
sobrevivência?


MH: Acredito, no caso do Patativa, tratar-se de outra coisa
. Quem o conheceu diz que ele sabia muito bem se
autopromover. O que, convenhamos, é uma qualidade
. Ele era realmente um poeta camponês. Mas era um poeta
camponês que leu Os Lusíadas e sabia de cor vários
poemas de Castro Alves. O problema é que
pesquisadores desavisados, a partir da fixação de
estereótipos, acredita que a preservação de
determinadas manifestações tradicionais – e
alguns equivocadamente incluem nesse rol o cordel –
dependem do isolamento cultural e geográfico. Como
, se Leandro Gomes de Barros, Silvino Pirauá de Lima,
Francisco das Chagas Batista, para se fazerem conhecidos,
tiveram de migrar do sertão paraibano, entre o fim do
século XIX e o começo do século XX, para o Recife?
E nem por isso deixaram de ser o que eram,
pois acrescentaram novos saberes, fazendo com que dessa
mistura – a cultura tradicional com a livresca – nascesse a literatura de cordel.


PILS - Agora você traz Meus Romances de Cordel.
O que o leitor vai encontrar neste livro?


MH: Várias faces da chamada poesia popular. Desde
o romance de encantamento, presente em História
de Belisfronte, o Filho do Pescador e na História
da Moura Torta, até o romance picaresco, base do
Decameron de Boccaccio e de obras como
o Lazzarilho de Tormes e o Mercador de Veneza,
de Shakespeare. No meu livro, o pícaro é o protagonista
de Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo.
Há, ainda, A Briga do Major Ramiro com o Diabo,
em que recrio em versos uma lenda sertaneja
envolvendo o meu bisavô, e Os Três Conselhos
Sagrados, ambientado em Bom Jesus dos Meira,
ou seja, em Brumado. Traz também o meu primeiro
romance publicável, O Herói da Montanha Negra,
escrito em 1987, que considero meu primeiro livro
publicável. Por último, o poema Galopando o
Cavalo Pensamento, composto em martelo agalopado
(décimas de dez sílabas). A apresentação é da professora
Vilma Mota Quintela, que conheci no Encontro Internacional
de Literatura de Cordel, em João Pessoa (2005).


PILS – Marco, você poderia caracterizar a Literatura de
Cordel e nos dizer como ela surgiu? Ela é reconhecida,
de fato, como literatura?


MH:Na forma como a conhecemos (com predominância
da sextilha setissílaba), ela nasceu na Paraíba, com os
poetas Leandro Gomes de Barros e Silvino Pirauá
de Lima, ainda no século XIX, consolidou-se como
atividade editorial no Recife e na região do Brejo paraibano,
e espalhou-se por outras regiões do Nordeste e Norte
do Brasil, levado na matula do migrante. Estou me
referindo ao cordel no formato consagrado pelos
autores e pela predileção popular. Mas o seu
substrato, composto por contos tradicionais,
romances ibéricos, a gesta carolíngia e, no Brasil,
a gesta do gado, tem raízes longínquas. O nosso
cordel aproxima-se, em certo ponto, da poesia
popular praticada em Portugal, Espanha, França,
Itália e na América Espanhola. Mas apresenta
uma temática mais abrangente e dialoga desde
sempre com outros gêneros literários. Ganhou,
assim, uma feição própria. Quanto ao reconhecimento,
ele existe. A literatura de cordel é respeitada por
alguns dos maiores nomes de nossas letras.
Ao mesmo tempo, enfrenta o preconceito linguístico
e social de alguns gramáticos e de pretensos
poetas “eruditos”. O pesquisador paraibano Aderaldo
Luciano, da UFRJ, foi questionado, quando postou
um artigo de sua autoria sobre a coleção Clássicos
em Cordel, no blog Poesia Hoje, por um desses
pretensos poetas “eruditos sobre a “autenticidade”
dos poetas “populares”. Ou seja, o cordelista
precisará, a partir de agora, na opinião desse
rapaz, de um atestado de “autenticidade”. Felizmente
, atitudes preconceituosas partem de uma minoria.

PILS - Nas escolas, o ensino da literatura se
pauta em obras clássicas, deixando de lado
“tudo” que não faz parte do currículo. Na
Bahia, por exemplo, não se estuda a literatura
de cordel nas escolas, pelo menos não
como deveria: como surgiu, as características,
representantes, etc.O uso desta literatura se
dá como um recurso didático ou tipologia
textual que serve, muitas vezes, para falar/explicar
alguns assuntos. Poderíamos chamá-la de
literatura marginal. Como você pensa essa questão?


MH: Eu não chamaria o cordel de literatura marginal,
mas penso que ele foi, durante muito tempo, “literatura
marginalizada”. Marginalizada, pois era avaliada de
acordo com a classe social que mais a consumia.
Hoje, com sua difusão pelo Brasil, parte desse
preconceito tem sido vencida. Para superar o
preconceito, quase sempre motivado pelo medo e
pala ignorância, a inclusão do cordel na sala de
aula é fundamental. Eu passei cinco anos na UNEB,
em Caetité, e só uma professora, Guilhermina, de
Filologia Românica, abordou o assunto. Hoje, com o
professor Rogério Soares além de outras iniciativas,
há uma abertura, mas a realidade está longe do ideal.
Aderaldo Luciano, por exemplo, advoga a inclusão do
cordel no todo literário brasileiro.
Abaixo, reproduzo trecho de um estudo de
Vilma Mota Quintela, que aclara muitos pontos
a respeito desta “marginalização” e da tentativa
de fossilização levada a cabo por alguns “estudiosos”:

“Compreender o cordel como um sistema cujas raízes se
situam em práticas populares tradicionais, ou seja, não
hegemônicas da sociedade, não implica, em absoluto,
validar a noção ainda corrente do cordel como um produto
de relações de produção cultural anacrônicas, isto é,
deslocadas do contexto cultural global. Ao contrário
disso, uma visada em perspectiva histórica permite
observar que a existência do cordel como um sistema
de produção “popular” sempre dependeu do diálogo dos seus
produtores com seus diversos outros. Assim, ainda que não se
confunda com o massivo, o cordel sempre agregou em seu discurso,
em seu suporte e em seu sistema de divulgação mecanismos
que lhe permitiram, ao longo dos anos, não apenas resistir,
como também atender às injunções do mercado. Da mesma forma,
embora se constitua com base na lógica da oralidade e, em princípio,
tenha servido, efetivamente, a esse domínio, o cordel não deixa
de refletir e mesmo de legitimar, de diversas maneiras, a preponderância
política do discurso letrado.”

PILS - A Bahia é seu lugar de origem. Mas é São Paulo que
acolhe e dá chances ao nordestino escritor, e mais precisamente,
a um escritor de uma literatura tipicamente nordestina:
o cordel. São Paulo e Rio de Janeiro ainda representam
sozinhos o espaço para quem deseja crescer dentro da
literatura? Como você vê a Bahia em termos de
possibilidades para quem deseja viver da literatura?


MH: Essa é a pergunta mais difícil. Quando saí da Bahia a
primeira vez, em 1997, pensava que, chegando a São Paulo,
veria as portas das editoras escancaradas. A realidade
mostrou-se em toda a sua crueza. Estive em muitas
editoras, inclusive na Paulus, e não consegui “emplacar
nenhuma proposta. De volta, mais maduro, em 2005,
para trabalhar numa editora, a Luzeiro, especializada em
cordéis, eu descobri que o problema não era das editoras.
Era meu. Eu não sabia o que queria de fato. Hoje, já
penso em incursões por outros campos, como o teatro
e a prosa. Mas só o farei quando tiver certeza que estou
pronto para dar esse salto. Em relação ao papel do Rio e
de São Paulo como espaços de consolidação de carreiras
artísticas, para além da literatura, penso que já foi maior.
Hoje, temos iniciativas interessantes no Rio Grande do Sul,
Minas e no Nordeste. Fortaleza é um exemplo. Na Bahia,
lamentavelmente, falta uma editora que abarque parte da
produção literária, em que pese o fato de termos alguns dos
maiores nomes das letras nacionais.


PILS - A visão acerca do Nordeste é de uma região
seca, sofrida e triste. Como você vê o nordeste?
Ele é apenas uma região carente?


MH: O Nordeste é mais do que seca, peste, fome e
coronelismo. É uma região culturalmente rica e economicamente viável.

PILS – Poderíamos pensar o Cordel como uma forma
de expressão literária e cultural capaz de dizimar a
visão de um Nordeste pobre, no que se refere à sua cultura?


MH:Com certeza. A região que deu ao país Graciliano Ramos,
João Cabral de Melo Neto, Castro Alves, Manoel Bandeira,
Leandro Gomes de Barros, Luiz Gonzaga, Mestre Vitalino,
Delarme Monteiro, Gonçalves Dias, merece respeito. Aliás,
todas as regiões do Brasil, que tingem a nossa cultura com
as cores da diversidade, merecem respeito. O cordel pode,
e deve, denunciar as mazelas sociais e políticas do Nordeste
, mas também mostrar a riqueza e a pujança da cultura nordestina.
No folheto Os Três Conselhos Sagrados, narrando
a visão de um migrante que retorna para sua terra,
após trinta anos de ausência, escrevi:


Olhou o Rio do Antônio
E ergueu ao céu uma prece,
As águas iam levando
O bem que restabelece
As forças já combalidas
De quem de Deus não esquece.


PILS - O fato de ter origem no Nordeste, e mais
precisamente nas camadas populares, explica
a não difusão e valorização do cordel na sociedade?


MH: Até certo ponto, sim. Mas tenhamos em mente
que os cordéis no Nordeste eram lidos desde a mais
humilde choupana até as casas grandes. Mas, hoje,
parte dessas barreiras foi, ou está sendo, superada.
A coleção que coordeno, pela Editora Nova Alexandria,
a Clássicos em Cordel, é adotada em várias escolas
particulares de São Paulo e de outros estados, e
seus títulos estão sempre presentes em seleções
de programas governamentais. As grandes editoras,
aos poucos, incluem o cordel em seus catálogos.
Por falta de traquejo de alguns editores, tem saído
muita coisa pavorosa, embrulhada e vendida como
cordel. Mas também tem saído muita coisa boa.


PILS - Você é um dos fundadores de A caravana do cordel.
Explique como surgiu essa ideia, e como funciona o projeto.
Ônibus-biblioteca, onde fez oficina
com o também cordelista Pedro Monteiro.
MH: O projeto surgiu das discussões que nós, cordelistas, fazíamos com o intuito de ampliar mais ainda os horizontes do cordel na Pauliceia. Os fundadores são, além de mim, João Gomes de Sá, Frei Varneci Nascimento, Costa Senna, Nando Poeta, Pedro Monteiro, Cacá Lopes. Depois vieram outros autores. A primeira apresentação aconteceu em Guarulhos, em 2008, num evento chamado Salão da Literatura de Cordel, coordenado pelo poeta João Gomes de Sá. A partir de julho de 2009, a Caravana passou a se apresentar no Espaço Cineclubista da Rua Augusta. A partir daí, com grande presença de público, seus membros se dividiram em muitas atividades, algumas delas realizadas em outros estados. Homenageamos poetas como Leandro Gomes de
Barros, Antônio Teodoro dos Santos e Chagas
Batista Se eu disser que, em alguns momentos,
não houve atritos, estaria sendo hipócrita. Houve
, sim, e isso contribuiu para o crescimento dos
membros da Caravana. Aliás, eu sempre vi a
Caravana, não apenas como um grupo de
poetas, mas como um movimento. Mais do
que isso, um conceito. Tanto que escrevi
um texto sobre o movimento reproduzido no
livro Acorda Cordel na Sala de Aula, organizado
por Arievaldo Viana. E dediquei um espaço
privilegiado no meu livro Breve História da
literatura de Cordel. Existe até um trabalho
acadêmico de Francisca Batista, enfocando
o movimento. Por isso, creio que o saldo é altamente positivo.

PILS – Além do trabalho literário, as palestras
e projetos, você ainda mantém o blog Cordel
Atemporal, que não apenas divulga seu trabalho,
mas tudo que se refere á Literatura de cordel e à
cultura popular. Tem sido um espaço frutífero?


MH: O Cordel Atemporal é um espaço abrangente que
vai além do meu trabalho. É uma ponte para outras
manifestações culturais, como o cinema o teatro e as
artes plásticas. Se eu reproduzo, num artigo sobre
a presença de São Pedro na tradição popular, um
quadro de Caravaggio, abro uma janela para o leitor
conhecer ou reencontrar esse mestre do Barroco italiano
. Apesar do tempo escasso, sempre o atualizo.
O conteúdo do blog abrange resenhas, indicações de
leituras, ensaios e informações do universo do cordel
e da cultura popular. As estatísticas apontam que o
Cordel Atemporal é lido em países como Portugal,
Estados Unidos, Turquia e Holanda. Possivelmente
por brasileiros que moram nestes países.


PILS - Pelo que você fala, e pelo que tenho lido
e observado, o cordel tem ganhado muita
força ultimamente. Sei que para isso há muita
dedicação de cordelistas e pesquisadores
em levar esta riqueza cultural aos mais variados
espaços. Teremos em breve uma novela que
de alguma forma abordará o mundo do cordel.
Você acredita que esse espaço aberto na TV
pode alavancar uma “redescoberta” do cordel?
Podemos pensar a novela como algo positivo
para uma nova safra de leitores e pesquisadores
nessa área literária?


MH: Acho positivo. O resultado, não dá para adivinhar,
mas, do ponto de vista de divulgação, será muito bom.
Não espero que a novela Cordel Encantado leve ao grande
público a riqueza temática do cordel, até porque, antes
de se propor a divulgar esse ou aquele gênero, a novela
deve narrar uma história dentro dos parâmetros estabelecidos
por uma emissora, no caso, a Globo. Não sei se a
novela em si despertará o interesse pela literatura de cordel,
como afirmei acima. Se a produção fugir do estereótipo e do falso
pitoresco, certamente será um sucesso.
Acho que a presença do cordel na trama global
será mais conceitual do que estética.

PILS - O Pesponteando e eu nos sentimos honrados em tê-lo
conosco falando sobre literatura. Obrigada! A palavra agora é sua...


MH: Deixo minha saudação
Aqui no Pesponteando,
Mesmo a prosa já findando,
Foi grande a satisfação.
Porém nada foi em vão,
Pois falamos da Bahia,
Louvamos a poesia
E outras artes brasileiras;
Viva o cordel sem fronteiras –
Adeus e até outro dia!

Paula, agradeço o espaço e a oportunidade, feliz por
fazer parte de seus retalhos literários.




Sobre o autor:

Marco Haurélio, poeta e folclorista, nasceu na localidade
Ponta da Serra, município de Riacho de Santana, sertão
da Bahia, aos 05 de julho de 1974. Desde muito cedo
entrou em contato com a literatura de cordel, escrevendo
a primeira estória com apenas seis anos de idade. Hoje,
Marco Haurélio é uma das grandes referências nacionais
da literatura popular, como poeta ou estudioso da mesma.
Ministra palestras e realiza oficinas sobre cordel e cultura popular.
Mantém o blog Cordel Atemporal(clique aqui). Atualmente
coordena a Coleção Clássicos em Cordel, da editora Nova
Alexandria. Sua bibliografia é composta pelos seguintes títulos:

Publicados pela Editora Luzeiro

• Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo
• Os Três Conselhos Sagrados
• História de Belisfronte, o Filho do Pescador
• O Herói da Montanha Negra
• A Idade do Diabo
• História da Moura Torta
• Nordeste – Terra de Bravos
• Serra do Ramalho – um Brasil que o Brasil Precisa Conhecer
• Romance do Príncipe do Reino do Limo Verde
• A Briga do Major Ramiro com o Diabo
• As Três Folhas da Serpente
• O Cordel – Seus Valores, Sua História (com João Gomes de Sá)

Publicados pela Tupynanquim

• Galopando o Cavalo Pensamento
• Traquinagens de João Grilo
• A Maldição das Sandálias do Pão-Duro Abu Kasem
• As Três Folhas da Serpente (segunda edição)

Publicado pela editora Queima-Bucha

• Cem Anos da Xilogravura na Literatura de Cordel (com Arievaldo Viana)

Publicado pela editora Olho Dágua

• Jesus Brasileiro (com Costa Senna)

Infantis e infantojuvenis

• O Príncipe que Via Defeito em Tudo (Ed. Acatu)
• A Lenda do Saci-Pererê em Cordel (Paulus)
• A Megera Domada (Ed. Nova Alexandria)
• Os Três Porquinhos em Cordel (Nova Alexandria)
• Lendas do Folclore Capixaba (Nova Alexandria)
• Traquinagens de João Grilo (segunda edição, Paulus)
• As Babuchas de Abu Kasem (Ed. Conhecimento)
• O Conde de Monte Cristo em Cordel (Nova Alexandria)
• A Roupa Nova do Rei ou O Encontro de João Grilo com Pedro Malazarte (Nova Alexandria, prelo)

Folclore e estudos da poesia popular

• Contos Folclóricos Brasileiros (Paulus)
• Contos de Fadas Brasileiros (inédito)
• Contos e Fábulas do Nosso Folclore (Nova Alexandria; prelo)
• Breve História da Literatura de Cordel (Claridade)
• Lá Detrás Daquela Serra (Cantos populares; inédito)
• Meus Romances de Cordel (antologia, Global Editora)

* Retirado do Blog
http://pesponteando.blogspot.com/

SOCIALISMO SEM LIBERDADE É OPRESSÃO, LIBERDADE SEM SOCIALISMO É INJUSTIÇA! VIVA A COMUNA DE PARIS!




Comuna de Paris: Autogestão, Democracia Direta e Federalismo Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares Há 140 anos, no mês de março, pela primeira vez na história os trabalhadores puderam ter a experiência, por um curto período de tempo, de se organizarem pela autogestão e pelo federalismo. Acontecia na França o que ficou conhecido como A Comuna de Paris. Na época, a França estava em guerra com a Prússia (que originou o que hoje é a Alemanha), a qual havia se industrializado e se organizado territorialmente depois de outros paises da Europa, como a própria França e Inglaterra. No entanto, possuía um exército poderoso e um enorme apetite por expandir seu território e seu poderio econômico. A França, que havia acabado de sair de décadas do império de Napoleão III, se reorganizava como república durante essa guerra (após a prisão do imperador pelos prussianos) e tinha como presidente Thiers. Como estava perdendo a guerra para a Prússia, a burguesia francesa decidiu se entregar de forma vergonhosa, a custo do sacrifício da maioria da população. Nessas horas, o nacionalismo vai por água abaixo frente à ameaça de prejuízo dos negócios. O governo francês decide assinar um acordo de paz em que desarma todo seu exército, com exceção da guarda nacional de Paris. A guarda nacional era composta em sua maioria por operários e a população de Paris, majoritariamente, discordava dos rumos políticos do novo governo em relação à Prússia. No dia 18 de março, o proletariado de Paris eclode em revolta com apoio da guarda nacional, expulsa o governo, destrói os símbolos da opressão e passam a controlar o dia a dia da cidade. Desmontam toda a lógica de administração estatal e passam a governar baseados nos princípios da democracia direta. Cada distrito de Paris elegia um delegado, com mandato revogável e que representava a opinião das pessoas que compunham aquele distrito. Os governos provocaram a guerra, quem mais sofreu foram as camadas oprimidas e depois quiseram acabá-la de uma maneira humilhante, com uma provável precarização da vida dos trabalhadores. O povo procurou dar a sua resposta. Era impossível resolver problemas criados por séculos de sistemas sociais injustos em apenas 40 dias (tempo que durou a Comuna), mas seus feitos foram surpreendentes, como a redução das jornadas de trabalho, o fim da pena de morte, a criação de um comitê para organizar a ocupação das habitações vazias, igualdade entre os sexos, a separação da igreja dos espaços de administração pública e, principalmente, o desmonte do aparato estatal e substituição da antiga administração centralizada por uma organização federada e sobre controle direto da população, este sem dúvida nenhuma um de seus maiores feitos. Infelizmente, a Comuna não durou para realizar alguns de seus projetos como a autogestão da produção, a rotatividade no trabalho e o fim do regime de salário. Vale destacar que a Comuna adotou princípios internacionalistas e contava com a participação ativa de vários estrangeiros, além de uma forte influência da AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores), entidade com aspirações socialistas que reunia trabalhadores principalmente da Europa e EUA. Após a fuga de Paris, o governo Francês se instalou em Versalhes e fez um acordo com a Prússia, no qual esta liberou os soldados franceses que tinham sido feito prisioneiros para reprimir a Comuna. 100 mil soldados marcharam sobre Paris, que era defendida por heróicos 15 mil milicianos. A repressão como sempre foi desproporcional. Cerca de 20 mil pessoas foram executadas, fora os mortos em combates. As mortes só cessaram com o medo de uma epidemia na cidade, que estava amontoada de corpos. Quarenta mil foram presas e várias outras foram deportadas. As lições da Comuna e a questão do Estado Apesar de seu fim trágico, a Comuna de Paris nos deixa a certeza de que uma nova lógica de sociedade é possível. Uma sociedade autogerida, sem desigualdade econômica e livre. Feitos impressionantes foram realizados em um período de guerra, imagine o que não poderia ser feito em longo prazo num ambiente mais propício. As ideias postas em prática em Paris foram o que sempre defenderam os setores libertários da AIT. Muitos dos seus membros participaram ativamente do processo de sua construção, mas os socialistas não eram maioria. Ou seja, não eram maioria nem os adeptos das ideias de Marx e nem os coletivistas (adeptos das ideias de Bakunin). Apesar disso, os trabalhadores, de maneira geral, fizeram um programa socialista, sem assim o chamar. As necessidades mais imediatas buscaram soluções em perspectiva libertárias. Em todos os documentos, textos teóricos e intervenções no seio da AIT e outros espaços do movimento operário os coletivistas, que mais tarde viriam a ser conhecidos como anarquistas, defenderam as ideias que foram colocadas em prática na Comuna. Mesmo não sendo a corrente política de maior peso (Bakunin se referia a Jacobinos como os mais numerosos na Comuna), suas ideias foram colocadas em prática. Para transformar as estruturas injustas da sociedade capitalista somente com um movimento que tenha efetivamente a participação dos oprimidos, mas não apenas no combate, na inevitável violência revolucionária, mas na elaboração das estruturas da nova sociedade que virá. É preciso organizar o trabalho e os aspectos gerais que garantam o funcionamento de nossa sociedade. Somente na prática, entre erros e acertos, é que forjaremos o novo homem e assim, juntamente com ele, uma nova sociedade. O Estado é uma estrutura criada para manter as injustiças e o pólo oprimido da sociedade sobre controle da minoria exploradora. Foi assim em todos os sistemas sociais existentes e no capitalismo ele ganha um novo contorno: não apenas organiza o aparato repressor que garante que a exploração continue, mas toma conta da administração da vida em sociedade para que ela permaneça nos rumos que sirvam o interesse da elite. A burguesia se apoderou direta ou indiretamente do Estado, quando em sua revolução destituiu a nobreza. Assim o fez, pois o sistema que passava a consolidar com sua vitória exigia a manutenção da exploração e, portanto, da sociedade dividida em classes. Na luta do pólo explorado para derrotar a burguesia, somos movidos por ideais socialistas e temos como uma das nossas grandes metas a extinção das classes sociais, por isso não podemos usar os mesmos mecanismos que eles. Em um processo de transição para uma sociedade socialista não poderíamos nos apoderar do Estado, pois isso colocaria a perder todas as nossas aspirações. Ao invés do Estado temos que construir uma nova forma de gerir a sociedade e a forma mais adequada nesse caso é pela democracia direta num sistema federativo. Temos plena consciência de que um processo de transição não é algo rápido, e para destruir as estruturas dessa sociedade não será nada fácil. Porém, não podemos usar um dos principais instrumentos da classe dominante para manutenção das injustiças: o Estado. Na AIT existia outra grande corrente política com influência das ideias de Marx e Engels. Os marxistas tinham um grande peso no movimento operário europeu, mas sempre defenderam uma via diferente para construção do socialismo. Em seus materiais anteriores à Comuna de Paris, deixava-se muito claro a necessidade da centralização do processo de transição e a utilização do aparato do Estado para destruir a estrutura da sociedade. Podemos ver isso no texto de maior divulgação de Marx e Engels, que é o Manifesto Comunista, no qual se usa o termo Ditadura do Proletariado para qualificar essa transição. Por sinal, um termo pouco aprofundado por Marx e que só vai ganhar maior importância com Engels e Lênin e as necessidades destes em influenciar o movimento operário alemão e russo, respectivamente. Esse processo seria bem diferente do que ocorreu na Comuna de Paris. O fato é que logo depois da Comuna, Marx escreve um texto elogiando o processo ocorrido em Paris e enaltecendo como um exemplo. Vale destacar que havia um acirrado debate dentro da AIT entre os dois grupos citados, no qual um dos principais temas era justamente a discussão entre centralização e federalismo. O que teria ocorrido? Oportunismo? Mudança de ideia? Vale destacar que em texto da época Marx e Engels referiam ao Manifesto Comunista como um documento envelhecido e ultrapassado em alguns aspectos. Infelizmente, essa postura não se manteve após a Comuna e o próprio Engels reviu algumas ideias defendida nesse texto de Marx. Além do mais, a postura de ambos e do seu grupo no congresso de 1872 da AIT, em Haia, foi o de expulsar Bakunin entre outras pessoas da AIT, rachando a entidade e indo de encontro à maior parte das seções da AIT (principalmente as latinas). Engels ajudou a fundar uma outra Internacional, mas não uma Internacional de associações de trabalhadores, mas de partidos socialistas que passavam a disputar o parlamento. A fração libertária continuou fiel aos seus princípios, mas infelizmente foi se enfraquecendo. A Comuna de Paris tem que permanecer sempre viva na memória daqueles que lutam por uma nova sociedade. Nossa vitória não está determinada, ela é apenas uma possibilidade. Por mais que a radicalização da democracia direta, com autogestão e federalismo sejam mais trabalhosos, é o caminho que levará ao objetivo almejado. Só podemos fazer isso com a participação direta do povo e não por pessoas iluminadas que centralizariam o processo, supostamente antenadas com o desejo da maioria. Por mais que tenham sido trabalhadores, uma vez dentro do Estado se tornaram burocratas e continuaram fazendo funcionar a máquina feita para garantir o aprisionamento da maioria e a manutenção das injustiças. SOCIALISMO SEM LIBERDADE É OPRESSÃO, LIBERDADE SEM SOCIALISMO É INJUSTIÇA! VIVA A COMUNA DE PARIS! *Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares* Maceió, março de 2011.

Federação Anarquista do Rio de Janeiro - FARJ farj@riseup.net www.farj.org Cx Postal 14576 CEP 22412-970. Rio de Janeiro/R

Nota em repúdio à manifestação em apoio ao Deputado Federal Jair Bolsonaro


O Movimento Anarco Punk vem, por meio desta nota, expressar total  repúdio ao ato realizado por grupos de extrema-direita esta manhã (09)  no Vão Livre do MASP. Este manifesto busca ressaltar a relevância  social de que analisemos essa tentativa de levante dos grupos  direitistas e intolerantes que vêem, há anos, se organizando na cidade  de São Paulo, no Brasil e em todo o mundo, buscando assim uma forma  concreta de combate. Somos todos/as vítimas da intolerância.  O ato a favor do Deputado Federal Jair Bolsonaro foi organizado por  sádicos direitistas que assumiram publicamente serem homofóbicos. São  indivíduos que se organizam através de grupos paramilitares  (denominados por eles como ?extra-quartel?) que tem como prática ações  de violência contra minorias étnicas, como negros/as, nordestinos/as e  descendentes de imigrantes, além de toda comunidade LGBT (Lésbicas,  Gays, Bissexuais, e Transgêneros).  Junto aos movimentos sociais, comparecemos ao Contra-Ato, organizado  para demonstrar publicamente a não aceitação da sociedade de grupos  com características militaristas, fascistas e violentas. Em quantidade  numérica superior aos Fascistas pró-Bolsonaro, demonstramos que em uma  cidade marcada pela presença do/a negro/a, pelo trabalho dos/as  imigrantes (nordestinos/as, asiáticos/as, africanos/as e etc) e pela  diversidade, ideais racistas, homofóbicos e intolerantes nunca serão  aceitos.  Acrescentamos também, que as duas pessoas ?detidas? pela polícia, que  faziam parte do contra-ato, foram encaminhados à delegacia pois  estavam sem documento, não existindo acusações concretas contra as  mesmas. Ao contrário dos pró-Bolsonaro que respondem a diversos  processos por agressão, racismo, formação de quadrilha, entre outros.  Viemos a público denunciar que as organizações que convocaram o ato  demonstraram que a intolerância é a bandeira que os une. Nunca uma  manifestação pública organizada por esses grupos, conseguiu aglutinar  as várias facções intolerantes de São Paulo, como Carecas do ABC,  Carecas do Subúrbio, White Powers, Impacto Hooligan, Kombat RAC,  skinheads, grupos da extrema direita nacionalista e integralista como  Ultra Defesa e Resistência Nacionalista. Esses grupos são responsáveis  por inúmeros crimes violentos, entre eles o assassinato do adestrador  de cães, Edson Neris, em 2000, na Praça da República, da bomba jogada  na Parada Gay de 2009, e dos dois meninos jogados do trem em movimento  na estação Brás-Cubas, em Mogi das Cruzes, no dia 7 de Dezembro de  2003 - Cleyton morreu e Flávio teve um dos braços amputados. Esses  grupos também são responsáveis por grande parte das inúmeras agressões  a negros e homossexuais nos últimos meses nas regiões centrais da  cidade de São Paulo, como também em Osasco e outras localidades.  Há que se combater o crescimento destes grupos de forma urgente e  eficaz, ampliando o debate e as discussões entre os movimentos sociais  e toda a sociedade! Seguimos lutando contra toda e qualquer forma de  preconceito e discriminação pelo mundo. Não nos calaremos! Estamos a  disposição da sociedade, dos movimentos sociais e da imprensa para  apresentarmos as denúncias contra esses grupos e contra qualquer forma  de discriminação.  Por um mundo onde caibam vários mundos! Pelo direito e o respeito a diferença!  Movimento AnarcoPunk de São Paulo  Contatos: map.sp@anarcopunk.org / Cx. Postal 1677 CEP 01031-970 / 70524406 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

....caríssimos mundanos!


Próximo passo: entrega ao desconforto!


Ministrada pelo escritor Fernando Carneiro, serão 16 horas (8 encontros de 2 horas), a oficial é destinada àpessoas interessadas na arte da fabulação.


A proposta é mergulhar no desconforto, olhar para o seu conteúdo e transformar esta vivência em literatura.


Serão adotados como base conceitual os ensinamentos de Julio Cortazar e do professor Masso sobre a escrita de contos.


Mais infos e inscrições AQUI!


DATA: 5, 12, 19, 26 de maio e 2, 9, 16, 10 de junho (toda quinta-feira)

HORÁRIO: das 20h00 às 22h00 (2 horas de duração, 8 encontros)

LOCAL: LIVRARIA CAPÍTULO 4 - Rua Tabapuã, 830


Contamos com vcs!


ps: lembrando que o melhor texto - selecionado pelo Conselho Editorial - irá para o Livro da MM de 2011....!


Saudações Mundanas!



Camila Briganti

sócio-fundadora do Instituto MundoMundano

Instituto MundoMundano

CNPJ: 11.297.515/0001-11




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André Alves Braga

quarta-feira, 20 de abril de 2011

ESCRAVIDÃO - Rede Pernambucanas esteve envolvida em flagrante anterior

Fiscalização realizada em complexo de oficinas na capital paulista encontrou imigrantes escravizados confeccionando vestidos da Vanguard, marca adulta feminina exclusiva da Pernambucanas, em agosto do ano passado

Por Bianca Pyl *

São Paulo (SP) - O flagrante divulgado há duas semanas não foi o primeiro envolvendo a rede varejista Pernambucanas com a exploração de imigrantes sul-americanos submetidos à escravidão contemporânea. Fiscalização realizada em 11 de agosto do ano passado em um complexo de oficinas de costura no bairro da Casa Verde (Zona Norte da capital paulista) conhecido como "La Bombonera" - por causa da quadra de futebol de salão do prédio - encontrou trabalhadoras e trabalhadores confeccionando vestidos da Vanguard, marca adulta feminina exclusiva da Pernambucanas. No mesmo local, uma outra oficina em condições totalmente precárias chegou a produzircoletes utilizados por recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trabalhadora costura vestido da marca Vanguard sentada em pedaço de madeira (Foto: Bianca Pyl)

Quando a equipe coordenada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) chegou ao local, pelo menos 15 pessoas de origem boliviana, paraguaia e peruana costuravam vestidos azuis da marca Vanguard na oficina de Pedro**. A despeito da apreensão (principalmente pelo fato de que muitos não possuíam documentos legais), os empregados não pararam de trabalhar durante toda a fiscalização.

O ambiente de trabalho repleto de máquinas de costura enfileiradas era todo fechado, sem nenhuma ventilação. Havia somente uma porta, que era mantida fechada o tempo todo. As instalações elétricas eram irregulares e estavam visivelmente sobrecarregadas. As cadeiras eram improvisadas (foto acima).

Detalhe de vestido de marca da Pernambucanas já confeccionado e pronto para entrega (Foto: BP)

A fiscalização classificou as condições de segurança e saúde como "inexistentes, indicando extrema precariedade no local de trabalho". Não havia extintores de incêndio, a iluminação era fraca e as instalações sanitárias eram precárias.

A jornada imposta às vítimas era exaustiva. De acordo com apurações do SRTE/SP, o valor recebido por cada peça costurada girava, em média, em torno de R$ 1. Para tentar fechar o mês sem ficar devendo ao dono da oficina, os empregados precisavam cumprir muitas horas de trabalho.

O ritmo intenso exigido agravava ainda mais as longas jornadas, segundo a fiscalização. Relatos de costureiras e costureiros dão conta de que os salários efetivamente recebidos estavam bem abaixo do piso salarial da categoria.

O dono da oficina alegou aos auditores fiscais que os salários pagos alcançavam cerca de R$ 800. Ao mesmo tempo, contudo, ele contabilizava as refeições para posterior desconto: almoço e jantar custavam, por exemplo, R$ 15 por dia (R$ 450 por mês). Pelo pacote diário de café da manhã e da tarde, a cobrança era de R$ 6 adicionais (R$ 180 mensais). Apenas no tocante à alimentação, portanto, a cobrança chegava a R$ 630.

Os alojamentos dos trabalhadores ficavam em frente à oficina. No pequeno espaço, separado do corredor por uma porta, estava posta uma geladeira de uso comum. Pelo menos cinco quartos disputavam espaço na edificação. Em um deles, havia até um botijão de gás.

Dono da oficina calculava os gastos das refeições
para posterior desconto nos salários (Foto: BP)

Cada família ou trabalhador era responsável por seu quarto (limpeza e demais equipamentos). Os cômodos eram bem pequenos, mas abrigavam famílias inteiras, muitas vezes com mais de um filho por casal. Não havia separação entre os ambientes de trabalho e de domicílio.

A ação coordenada pela SRTE/SP contou com a participação de representantes da Defensoria Pública da União em São Paulo (DPU/SP), do Ministério Público Federal (MPF), da Justiça do Trabalho e da Secretaria de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania - Núcleo de Enfrentamento e Prevenção ao Tráfico de Pessoas de São Paulo.

Ficou constatado que a oficina de costura que produzia para a rede Pernambucanas no complexo "La Bombonera" fora subcontratada pela Nova Fibra Confecções Ltda. De acordo com a fiscalização, a Pernambucanas decidiu romper o contrato com o fornecedor após ser informada do ocorrido.

Ainda naquela ocasião, a SRTE/SP advertiu que o mero encerramento de contrato não sanaria o problema. Os flagrantes, complementa o órgão, não podem nem devem ser entendidos como casos isolados. As intermediárias, chamadas pelos magazines de fornecedoras, funcionam, segundo a fiscalização, como células de produção, com contratos que simulam prestação de serviço, mas que na realidade encobrem uma "nítida relação de emprego entre todos os obreiros das empresas interpostas e a empresa autuada".

Em resposta à primeira solicitação de posicionamento sobre o caso, a Pernambucanas enviou nota dizendo que "trabalha fortemente" para que suas fornecedoras tenham certificações e sejam reconhecidas no que diz respeito às "melhores práticas de trabalho".

Para tanto, a empresa informou que dispõe do suporte da SGS - responsável por inspeções, verificações, testes e certificação de cumprimento de normas. Além disso, a Pernambucanas se colocou como "uma das principais incentivadoras", dentro da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), do Programa de Qualificação de Fornecedores para o Varejo, lançado logo após o flagrante da Casa Verde, em setembro de 2010.

Ambiente marcado pela precariedade era dividido
por famílias inteiras, inclusive com crianças (BP)

Após o segundo flagrante de março de 2011, a Repórter Brasil solicitou nova manifestação da empresa acerca das medidas adotadas para evitar que a cadeia produtiva esteja livre de trabalho escravo.

Em resposta, a assessoria da rede varejista declarou que "mantém seu posicionamento". Citou também que mantém uma cláusula no contrato de compra de mercadorias em que determina que o fornecedor "não poderá se envolver com, ou apoiar, a utilização de trabalho infantil, trabalho forçado ou quaisquer outras formas de exploração ilícita de mão de obra ou, ainda, outras atividades que, de maneira direta ou indireta, atinjam os princípios básicos da dignidade humana".

Questionada sobre os métodos que vêm sendo utilizados para a aferição desses itens previstos em contrato, a empresa preferiu não especificar nem a forma e nem a periodicidade das verificações.

De acordo com a assessoria de comunicação da ABVTEX, o Programa de Qualificação de Fornecedores foi divulgado entre empresas contratadas pelas companhias signatárias: Pernambucanas, C&A, Marisa, Renner, Walmart, Riachuelo, Grupo Pão de Açúcar e Leader. "As empresas varejistas que aderiram ao Programa estão empenhadas no apoio aos fornecedores para que busquem sua qualificação e também qualifiquem seus subcontratados. Os primeiros fornecedores acompanhados pelas varejistas já estão em processo de auditorias", colocou a associação, que deve divulgar o primeiro balanço do programa no 2º semestre deste ano.

O programa pretende alcançar, nos próximos três anos, toda a cadeia das empresas varejistas. "Cada associado tem como meta qualificar 25% de sua cadeia de fornecedores e subcontratados de São Paulo a cada semestre até o final de 2012. Para fornecedores nos demais estados, o prazo será até final de 2013", diz a ABVTEX. Calcula-se que em todo o país existam cerca de 10 mil fornecedores e subcontratados no setor. Os itens exigidos pelo programa já constam na legislação trabalhista brasileira.

Peças de vestido da Vanguard se acumulam em mesa de oficina de costura irregular flagrada (BP)
As auditorias do Programa da ABVTEX estão sendo realizadas por três consultorias de qualificação credenciadas: Bureau Veritas - que chegou a inspecionar e aprovar fornecedores das lojas Marisa que subcontratavam oficina flagrada com trabalho escravo -, a Intertek e, mais uma vez, a SGS.

De acordo com a ABVTEX, alguns fornecedores da Pernambucanas já estão qualificados. A entidade salientou ainda que a empresa está seguindo os prazos determinados, a exemplo do que ocorre com os demais associados. "A ABVTEX não espera que a Pernambucanas tenha 100% dos fornecedores qualificados neste momento, até porque o prazo final da qualificação é 2013".

A Repórter Brasil entrou também em contato com a SGS e foi informada que o sistema de trabalho da consultoria "contempla uma cláusula de confidencialidade, o que assegura o sigilo do processo e preserva as informações tanto do cliente quanto do auditado". Por meio de sua assessoria de imprensa, a SGS explicou que quem determina requisitos e critérios é o cliente - nos casos em questão, a Pernambucanas e a ABVTEX.

"Nossa atividade contempla um exame cuidadoso e sistemático das atividades desenvolvidas em determinada empresa ou setor, com o objetivo de averiguar se suas práticas estão de acordo com disposições planejadas", completou a SGS, que mantém mais de 1,25 mil escritórios e laboratórios e 64 mil funcionários em todo o mundo. "Além disso, é importante salientar que esse é um processo amostral, uma atividade que visa assegurar a gestão dos riscos inerentes aos processos, com foco na diminuição desses riscos e na padronização e melhoria contínua desses processos".

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Alerta Anti-Fascista! Contra Bolsonaro, contra os grupos nazi-fascistas!


No dia 09 de abril de 2011, grupos fascistas e de extrema-direita tentam organizar um ato em apoio ao deputado federal Jair Bolsonaro e as declarações racistas e homofóbicas feitas ao programa CQC. A juventude, o povo e os movimentos sociais se uniram e foram às ruas combater o fascismo!
Veja o vídeo em 
  http://www.youtube.com/watch?v=-kHM1mkPsLQ