" Ser governado é... Ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, parqueado, endoutrinado, predicado, controlado, calculado, apreciado, censurado, comandado, por seres que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude (...). Ser governado é ser, a cada operação, a cada transação, a cada movimento, notado, registrado, recenseado, tarifado, selado, medido, cotado, avaliado, patenteado, licenciado, autorizado, rotulado, admoestado, impedido, reformado, reenviado, corrigido. É, sob o pretexto da utilidade pública e em nome do interesse geral, ser submetido à contribuição, utilizado, resgatado, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; e depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, multado, vilipendiado, vexado, acossado, maltratado, espancado, desarmado, garroteado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, no máximo grau, jogado, ridicularizado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis a justiça, eis a sua moral!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Escravizados produziram coletes de recenseadores do IBGE


Vencedora da licitação dos 230 mil coletes deixou quase toda a produção (99,12%) para terceiros. Um deles, que não tinha nem registro básico, repassou parte da demanda para oficina que mantinha trabalho escravo

Por Bianca Pyl* e Maurício Hashizume

São Paulo (SP) - Coletes de recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foram feitos por imigrantes submetidos a condições de trabalho análogas à escravidão. Vencedora da licitação de R$ 4,3 milhões para a produção de 230 mil peças, a empresa F. G. Indústria e Comércio de Uniformes e Tecidos Ltda., com sede em Londrina (PR), terceirizou quase toda a produção (99,12%) da vestimenta que identifica agentes que continuam coletando informações do Censo 2010 em todo o país.

Uma das acionadas pela F.G. para confeccionar um lote das peças em Guarulhos (SP) acabou repassando parte da demanda para outra oficina de costura precária localizada na Zona Norte da capital paulista, onde exemplar do colete do IBGE foi encontrado. O edital de licitação dos coletes, de acordo com o próprio órgão federal responsável, não prevê subcontratações.

Quando chegou ao complexo de oficinas, fiscalização flagrou boliviano vestindo colete (Foto:BP)

A descoberta se deu a partir de fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP), acompanhada pela Repórter Brasil, que inspecionou, em 11 de agosto, um complexo de oficinas no bairro paulistano da Casa Verde conhecido como "La Bombonera". A alcunha - que remete ao conhecido estádio de futebol do clube argentino Boca Juniors, de Buenos Aires - foi atribuída por causa da quadra de futebol de salão instalada na parte alta da edificação, ponto de encontro de partidas entre times formados por imigrantes sul-americanos todos os domingos.

Durante a fiscalização do complexo, um dos donos de oficina vestia um colete de recenseador do IBGE, em pleno período de coleta de dados. Ao ser questionado a respeito da peça, o boliviano Willy Perez Mamani confirmou ter fabricado 3 mil unidades da peça que vestia. O lote, segundo ele, teria sido entregue um dia antes (10 de agosto). "Não emiti nenhuma nota fiscal. O pedido foi feito por outro dono de oficina. Ele tinha pressa e deu um prazo muito curto", admitiu Willy na ocasião. No local, foram encontradas partes do colete, como o bolso com o endereço do site (www.ibge.gov.br) e o número gratuito de telefone (0800-7218181) para informações sobre o Censo 2010 (veja foto abaixo). Willy, que declarou receber cerca de R$ 1 por peça costurada em seu "estabelecimento", confidenciou que, no caso específico dos coletes do IBGE, o pagamento foi de R$ 1,80 por conta do exíguo prazo da encomenda.

O quadro em que os 15 empregados da oficina de costura sob gestão de Willy se encontravam foi caracterizado pelos auditores fiscais como de escravidão contemporânea por causa da grave degradação do ambiente de trabalho, além da jornada exaustiva. "Na parede da oficina, há um quadro com os horários de trabalho (das 6h50 às 20 horas). Por conta da urgência na entrega da encomenda [dos coletes confeccionados para os recenseadores do IBGE], esse passou a ser o horário mínimo", explica Elcio Antônio do Prado, da SRTE/SP, que participou da operação no complexo "La Bombonera".

Auditores fiscais encontraram partes soltas do colete utilizado pelos recenseadores (Foto: BP)

Todas as 15 pessoas vindas da Bolívia que trabalhavam na oficina - "registrada" como Willy Perez Mamani Confecções ME - estavam em situação irregular no Brasil. Apenas Willy, o comandante da oficina, possuía visto. Para produzir os coletes do Censo 2010, os empregados foram submetidos a jornadas exaustivas de trabalho, que se iniciavam às 7h da manhã e se estendia até 22h, de segunda à sexta-feira e, aos sábados, das 7h às 13h. Entre uma jornada e outra, não havia intervalo mínimo de 11h, previsto em lei.

Uma das funcionárias da oficina de Willy revelou à Repórter Brasil que a rotina foi mesmo "mais puxada" no período de confecção dos coletes. Segundo ela, não houve nenhum bônus pela intensificação do trabalho. Há apenas alguns meses no Brasil, a jovem com menos de 30 anos afirmou ter alcançado a cidade de São Paulo (SP) de ônibus, pela rota que passa por Corumbá (MS).

"Em La Paz [capital da Bolívia], eu recebia no máximo o equivalente a R$ 150. Aqui eu ganho R$ 500", contou. Caso esse tenha sido mesmo o salário mensal recebido por ela, a remuneração ainda ficou abaixo do piso salarial para iniciantes não-qualificadas da categoria das costureiras de São Paulo e Osasco (R$ 620) e do salário mínimo em vigor (R$ 510). Na manhã do dia da fiscalização, a boliviana confeccionou 26 peças em quatro horas (das 7h às 11h). Ela não emitiu reclamações acerca do ritmo de produção e disse que pretende voltar ocasionalmente para Bolívia apenas para visitar a mãe.

Quadro encontrado
Foram 30 autos emitidos à F.G. por conta de infrações flagradas no local. Além dos diversos problemas citados anteriormente, a SRTE/SP identificou a ocorrência de prática discriminatória e limitativa de acesso e manutenção de emprego (devido à exploração exclusiva de mão de obra de imigrantes vulneráveis em situação irregular), o não pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o desconto nos salários dos empregados. Apenas o rombo do FGTS não pago em todos os níveis ultrapassa R$ 310 mil. Somados, os valores devidos por conta dos autos superam R$ 510 mil.

Willy calculou gastar cerca de R$ 300 por pessoa para bancar a alimentação e a moradia de seus empregados. As refeições consistiam invariavelmente em pratos de arroz, feijão, batata e frango. No café da manhã e da tarde, café, chá e biscoitos. Ele negou que tenha havido qualquer desconto no valor dos salários. Nas palavras do dono da oficina, os vencimentos eram de R$ 600 a R$ 700 mensais, conforme o volume produzido. O patamar é superior ao que os próprios funcionários relataram receber: não mais que R$ 500.

Alojamentos familiares e locais de trabalho se misturavam na edificação "La Bombonera" (Foto:BP)

De acordo com o auditor Elcio, apesar da negativa de ambos os lados, os descontos nos salários dos costureiros são evidentes. "O dono da oficina tem de arcar com aluguel, alimentação etc. Como o valor que cada um recebe por peça costurada é muito baixo, esses custos acabam sendo pagos pela parcela tirada dos próprios trabalhadores mesmo", explica.

As condições de segurança e saúde encontradas no local também eram muito precárias. Em função das instalações elétricas irregulares, os fios ficavam expostos. Não havia extintores de incêndio. As instalações sanitárias coletivas não eram separadas por sexo, além da péssima manutenção, sem higiene. A ventilação era insuficiente e a iluminação, inadequada. O espaço para as refeições era inexistente, assim como o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). As cadeiras eram improvisadas. Em decorrência das longas jornadas, a falta de equipamentos adequados poderia acarretar em sérios problemas de saúde para os trabalhadores.

Os alojamentos se confundiam com os limites do local de trabalho: sete pequenos quartos ocupados por famílias inteiras, situados ao longo do corredor que faz ligação entre as oficinas de costura e a cozinha coletiva. Uma infestação de piolhos, que afetava principalmente as crianças, dava provas da falta geral de higiene e dos riscos à saúde presentes no complexo.

No caso da oficina de Willy, a libertação - como costuma ocorrer nos casos de trabalho análogo à escravidão no meio rural - não foi efetuada por um conjunto de motivos. Primeiro, porque muitas famílias de migrantes, principalmente oriundos da Bolívia, convivem e estão estruturadas (com mobílias, aparelhos eletrônicos etc.) no espaço fiscalizado. Filhos e filhas de costureiras e costureiros frequentam a rede pública educacional da região. Ao final do dia de inspeção no imóvel de quatro andares e habitações plurifamiliares precárias, integrantes da fiscalização presenciaram o retorno de muitas crianças ao complexo de oficinas vestindo uniformes escolares.

"Vidas familiares e profissionais estão completamente misturadas nesses espaços. É muito complicado retirar um trabalhador do local", explica o auditor Renato Bignami, que coordenou a operação como parte do programa do Pacto Contra a Precarização e pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo - Cadeia Produtiva das Confecções. Representantes da Defensoria Pública da União (DPU), do Ministério Público Federal (MPF) e dois juízes do Trabalho compuseram a comitiva que esteve na Casa Verde. Para ele, a opção pelo resgate compulsório deve ser considerada em casos mais extremos de violência e risco ou de cerceamento da liberdade de ir e vir.

O coordenador destaca ainda que cidadãs e cidadãos de nacionalidade boliviana foram contemplados pelo Decreto 6975, de 7 de outubro de 2009, que promulgou o Acordo sobre Residência para Nacionais dos Estados Partes do Mercado Comum do Sul (Mercosul), Bolívia e Chile. Com isso, a permanência provisória de argentinos, uruguaios, paraguaios, bolivianos e chilenos no Brasil está autorizada. Os únicos impedimentos para a concessão do visto temporário de dois anos que continuam a valer são antecedentes penais ou policiais. Para completar, Renato realça que não há procedimentos definidos para as libertações de trabalho escravo em ambiente urbano, ainda mais quando se trata de episódios específicos que envolvem trabalhadores migrantes estrangeiros. Não existe tampouco estrutura pública de abrigo provisório que possa acolher essas famílias caso houvesse o chamado resgate.

Jornada efetiva de trabalho extrapolava horários marcados em papel fixado na parede (Foto: BP)

Repasses de demandas
Para dar continuidade à fiscalização, auditores fiscais visitaram as instalações da oficina terceirizada intermediária que repassou a encomenda dos coletes para o boliviano Willy. A então "empresa" Milton Borges Ferreira - Confecções EPP, com base em Guarulhos (SP), recebeu a tarefa de segunda mão que deveria ser cumprida originalmente pela vencedora única da licitação realizada pela Fundação IBGE: a F.G. Ind. e Com. de Uniformes e Tecidos Ltda.

Uma das escolhidas no processo de terceirização engendrado pela F.G., a oficina do Milton recebeu a incumbência de confeccionar 51 mil coletes ao preço de R$ 5 por peça (totalizando R$ 255 mil). O acerto se deu na base da informalidade, já que naquela época o processo de abertura e legalização do empreendimento de Milton não estava sequer concluído. Mesmo assim, segundo depoimento deste último, funcionários do IBGE chegaram a fazer a separação dos coletes para entrega nos Estados na própria oficina em Guarulhos (SP).

A intermediária foi fiscalizada em 1º de setembro e mais exemplares do colete do IBGE foram encontrados no recinto. Dos 13 empregados, nenhum era costureiro e todos estavam sem registro formal na Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CTPS). Apesar de ter recebido a volumosa encomenda de dezenas de milhares de coletes, a modesta oficina dispõe apenas de três máquinas de costura utilizadas somente para a costura de botões e etiquetas.

Milton admitiu ter subcontratado outras oficinas como a de Willy para cumprir a fabricação das 51 mil peças até 15 de agosto. A nota fiscal para a F.G. foi emitida só no dia 30, pois a liberação da Inscrição Estadual da empresa intermediária ainda estava pendente. De acordo com fiscalização, o número do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da oficina do Milton saiu perto do dia 11 de agosto, depois do recebimento da encomenda por parte da F.G. Ou seja, a empresa vencedora da licitação - proibida de subcontratar segundo o próprio IBGE - não só repassou para várias outras empresas espalhadas pelo país, como também terceirizou para uma empresa sem registro.

A SRTE/SP também foi até Londrina (PR) para visitar a sede da F.G., que venceu o Processo Licitatório nº 03601.000418/2009-82, por meio do Pregão Eletrônico nº 136/2009 da Fundação IBGE. Responsável direta pela produção de 230 mil coletes para recenseadores de todo o país em 60 dias corridos, a empresa funciona em um galpão com apenas 15 máquinas de costura, duas mesas de corte e molde de tecidos, uma pequena área de acabamento de peças, e um escritório simples. Dos 24 empregados da F.G., metade estava sem registro. Os auditores fiscais constataram ainda que a FG retinha as carteiras de trabalho de seus empregados, sem efetuar o registro no prazo de 48h. A cozinha utilizada pelos empregados era improvisada na garagem.

A reportagem tentou obter as posições da F.G., mas não conseguiu apresentar as questões relativas ao caso aos representantes das empresas. De acordo com a SRTE/SP, a F.G. informara que o IBGE "teria dado respaldo à descentralização da confecção dos coletes, vistoriando e monitorando, em conjunto com o pessoal da F.G, a infraestrutura dos contratados, obtendo um padrão técnico e legal, o que teria possibilitado a agilização da produção e a flexibilização da logística de entrega dos materiais encomendados".

Durante o processo de pregão eletrônico, o primeiro lance apresentado pela F.G. foi de R$ 52,34 para cada colete confeccionado. A proposta final vencedora da mesma empresa foi de R$ 18,70 por peça. Para produzir o lote de 51 mil coletes, a oficina do Milton, que ainda funcionava às margens da legalidade em Guarulhos (SP), foi contratada para receber R$ 5 por colete. Milton, por sua vez, distribuiu parte da demanda para o boliviano Willy e pagou R$ 1,80. "Fazendo este cálculo, é possível verificar que não houve distribuição de recursos [ao longo da cadeia]. O lucro ficou nas mãos da FG e não chegou aos trabalhadores [que efetivamente confeccionaram as peças]", analisa Renato, da SRTE/SP.

Condições degradantes de trabalho e jornada exaustiva faziam parte da rotina na oficina (Foto:BP)

Responsabilidades dos envolvidos
A F.G. foi notificada a providenciar a regularização dos vínculos empregatícios de todos os trabalhadores flagrados na cadeia produtiva da qual faz parte, considerando a sede, a intermediária Milton Borges Ferreira Confecções EPP e a oficina de costura Willy Perez Mamani Confecção ME.

O IBGE também foi notificado para que o pagamento dos recursos que porventura ainda estivessem pendentes do contrato com a F.G. fosse suspenso até que os valores que a vencedora da licitação mantém em aberto com o FGTS fossem devidamente quitados. "A Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística deveria zelar pelo correto, integral e sistemático cumprimento do contrato de fornecimento dos coletes IBGE censo 2010, notadamente nos seus aspectos trabalhista, previdenciário e fiscal, tendo em vista tratar-se de confecção de peças de vestuário remunerada pelo Erário Público e que envolve a geração de emprego e renda, itens básicos para o progresso econômico do Brasil, desde que respeitados os preceitos do Trabalho Decente, constantes do Plano Nacional do Trabalho Decente, de natureza pública e de conhecimento de todos os entes da Administração Pública", destaca o relatório da fiscalização.

O instituto informou à Repórter Brasil que já recebeu a notificação e que a chegada do documento foi posterior ao pagamento total de R$ 4,3 milhões feito à empresa contratada. De acordo com o IBGE, a F.G. apresentou todos os comprovantes exigidos (documentação jurídica, atestados relativos à regularidade fiscal, à qualificação técnica e à qualificação econômica financeira) e venceu a licitação pelo critério de menor preço ofertado.

Um dos itens para impedir a participação no processo de empresas sem estrutura para cumprir o contrato é a exigência de comprovação de Capital Social Mínimo ou Patrimônio Liquido no valor igual os superior a R$ 1,2 milhões. A F. G não comprovou, mas apresentou, conforme o IBGE, índices de Solvência Geral (SG), de Liquidez Geral (LG) e de Liquidez Corrente (LC) superiores a 1,00 - comprovados através do Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf) -, o que dispensa a exigência anterior. Já o atestado de capacidade de produção (80 mil uniformes, em média, por ano) em favor da F.G. foi emitido pela Qualix Serviços Ambientais Ltda., de São Paulo (SP). A Repórter Brasiltambém entrou em contato com a Qualix para obter mais detalhe sobre a emissão do atestado, mas não obteve retorno da empresa.

Ainda segundo o IBGE, o referido edital seguiu a Lei das Licitações (8.666/93) e foi previamente submetido e aprovado pela Procuradoria Federal no órgão. Com o documento assinado pela Qualix, a F. G. pôde se se enquadrar à exigência estabelecida de capacidade de produção de percentual mínimo de 20% do total dos materiais licitados. "A exigência de atestado com a totalidade do objeto licitado [230 mil peças] praticamente restringiria ou mesmo inviabilizaria a participação de empresas especializadas, visto que não é comum a aquisição de um volume dessa natureza em certames licitatórios", justifica o instituto.

Subcontratações não estão previstas em edital de licitação, confirma IBGE (Foto: Reprodução)

O edital de confecção dos coletes para os recenseadores do Censo 2010 estabelece a obrigatoriedade de que as propostas de preços apresentadas pelas empresas contenham declaração expressa de que os valores ali contidos devem incluir todos os custos e despesas para o cumprimento integral do seu objeto, tais como tributos incidentes, encargos sociais e trabalhistas e outros. Mas, para o IBGE, simplesmente "não é da competência do órgão fiscalizar condições de trabalhar junto às empresas fornecedoras".

O contrato com a F. G., responde o IBGE, foi gerido pelo funcionário Eduardo Alberto de Novais Alves, da Coordenação Operacional dos Censos, que inclusive chegou a visitar a unidade de produção da empresa F. G. em Londrina (PR) e "constatou a existência das instalações de confecção têxtil, estoques de matérias primas e a efetiva produção dos coletes".

É reiterado pelo instituto que o edital de licitação não abre margem para qualquer tipo de subcontratação por parte da empresa vencedora. Reconhece, contudo, que "teve conhecimento de que uma unidade de Guarulhos produziu parte da encomenda". Além disso, as entregas dos coletes deveriam ser feitas pela F. G. diretamente nas unidades do IBGE. "Contudo, em razão dos atrasos registrados no cronograma de entrega e a constatação de que a empresa não dispunha de frota própria para fazer as entregas com exclusividade e, assim, dependia de contratação de serviços de transportadoras para efetivar as entregas e, com isso, reduziria a possibilidade de controle dos prazos e colocava em risco as datas fatais para a distribuição em todos os locais (Postos de Coleta), o IBGE, visando reduzir as implicações (atraso no início dos trabalhos do Censo 2010), que teriam fortes impactos negativos para a operação, decidiu retirar por meios próprios os coletes na unidade de produção, em Guarulhos". O endereço de retirada do material apresentado pelo IBGE coincide com o imóvel onde funciona a oficina do Milton, vistoriada pela SRTE/SP.

Segundo a instituição federal, "há registros desses deslocamentos e seus custos foram levantados com o objetivo de subsidiar os cálculos da multa pecuniária a ser aplicada, conforme previsto no edital". O processo está em análise na Diretoria Executiva do IBGE e a multa pecuniária pelo descumprimento parcial do contrato ainda não foi definida. O instituto insiste que "todas as obrigações e condições para a execução contratual são de exclusiva responsabilidade da empresa F. G., a qual, inclusive, está passível de aplicação de penalidades por descumprimento de qualquer condição contratual".

Embora a capacidade de produção de ao menos 20% dos 230 mil coletes tenha sido estabelecida como critério para a escolha da proposta vencedora, a F. G., que recebeu R$ 4,3 milhões pelo contrato firmado com o IBGE, não chegou a produzir efetivamente nem 2% das peças utilizadas pelos recenseadores, segundo apuração da SRTE/SP. Outras quatro empresas - em Santo Antônio da Platina (PR), em Paraguaçu Paulista (SP), em Cerquilho (SP) e em Guarabira (PB) - também fizeram contrato de fornecimento de coletes para a F.G. A operação iniciada no dia 11 de agosto ainda envolve outras marcas e redes varejistas do setor de confecções. Contudo, as investigações das outras cadeias produtivas ainda não foram concluídas.

*A jornalista da Repórter Brasil acompanhou a fiscalização da SRTE/SP como parte dos compromissos assumidos no Pacto Contra a Precarização e pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo - Cadeia Produtiva das Confecções

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A História do Povo Cigano



















O fato do Povo Cigano não ter, até os dias atuais, uma linguagem escrita, fica quase impossível definir sua verdadeira origem. Portanto, tudo o que se disser a respeito de sua origem está largamente baseado em conjecturas, similaridades ou suposições.

A hipótese mais aceita é que o Povo Cigano teve seu berço na civilização da Índia antiga, num tempo que também se supõe, como muito antigo, talvez dois ou três milênios antes de Cristo. Compara-se o sânscrito, que era escrito e falado na Índia (um dos mais antigos idiomas do mundo), com o idioma falado pelos ciganos e encontraram um sem-número de palavras com o mesmo significado. E assim, os Ciganos são chamados de "povos das estrelas" e dizem que apareceram há mais de 3.000 anos, ao Norte da Índia, na região de Gujaratna localizada margem direita do Rio Send e de onde foram expulsos por invasores árabes.

Outros pontos também colaboram para que esta hipótese seja reforçada, como a tez morena comum aos hindus e ciganos, o gosto por roupas vistosas e coloridas, e princípios religiosos como a crença na reencarnação e na existência de um Deus Pai e Absoluto. E com respeito à suas crenças, tanto para os hindus como para os ciganos, a religiosidade é muito forte e norteia muito de seu comportamento, impondo normas e fundamentos importantes, que devem ser respeitados e obedecidos.

Depois de vagarem pelas Terras do Oriente, os ciganos invadiram o Ocidente e espalharam-se por todo o mundo. Essa invasão foi uma das únicas na história da humanidade que foi feita sem guerras, dor ou derramamento de sangue. O que não se sabe ainda é se esses eternos viajantes pertenciam a uma casta inferior dentro da hierarquia indiana (os parias) ou de uma casta aristocrática e militar, os orgulhosos (rajputs). Independente de qual fosse seu status, a partir do êxodo pelo Oriente, os ciganos se dedicaram com exclusividade a atividades itinerantes: como ferreiros, domadores, criadores e vendedores de cavalo, saltimbancos, comerciantes de miudeza e o melhor de suas qualidades que era a arte divinatória. Viajavam sempre em grandes carroças coloridas e criaram nomes poéticos para si mesmos.

No primeiro milênio d.C., deixaram o país e se dividiram em dois ramos: o Pechen que atingiu a Europa através da Grécia; e o Beni que chegou até a Síria, o Egito e a Palestina. Existem vários clãs ciganos: o Kalê (da Península Ibérica); o Hoharano (da Turquia); o Matchuaiya (da Iugoslávia); o Moldovan (da Rússia) e o Kalderash (da Romênia). São mais de 15 milhões de ciganos em diferentes pontos da Europa, Ásia, África, América, Austrália e Nova Zelândia. Quase sempre os ciganos eram bem recebidos nos países onde chegavam. Os chefes das tribos apresentavam-se de forma pomposa, como príncipes, duques e condes (títulos, aliás inexistentes entre os ciganos). Diziam-se peregrinos cristãos vindos do Egito e, assim obtinham licença das autoridades locais para se instalarem.

Ao contrário do que muitos pensam, o Povo Cigano é que foi perseguido, julgado e expulso ao longo do seu pacífico caminhar. Na Moldávia e na Valáquia (atual Romênia), os ciganos foram escravizados durante trezentos anos; na Albânia e na Grécia pagavam impostos mais altos. Na Alemanha, crianças ciganas eram tiradas dos pais com a desculpa de que "iriam estudar", enquanto a Polônia, a Dinamarca e a Áustria puniam com severidade quem os acolhesse. Nos países baixos inúmeros ciganos foram condenados à forca e seus filhos obrigados a assistir à execução dos pais para que assim aprendessem a "lição de moral". Apenas no país de Gales eles tiveram espaço para manter parte das suas tradições e a língua.

Os ciganos chegados em Andaluzia no séc. XV vieram do norte da Índia, da região do Sind (atual Paquistão), fugindo das guerras e dos invasores estrangeiros (inclusive de Tamerian, descendente de Gengis Khan) eles encontraram facilidades e estabeleceram-se. Mesmo assim, durante a inquisição católica, vários deles foram expulsos pelos tribunais do Santo Ofício. . As tribos do Sind se mudaram para o Egito e depois para a Checoslováquia, Rússia, Hungria e Polônia, Balcãs e Itália, França e Espanha. Seus nomes se latinizaram (de Sindel para Miguel; de András para André; de Pamuel para Manuel, etc.). O primeiro documento data a entrada dos ciganos na Espanha em 1447. Esse grupo se chamava a si mesmo de "ruma calk" (que significa homem dos tempos) e falavam o Caló (um dialeto indiano oriundo da região do Maharata). Eles trouxeram a música, a dança, as palmas, as batidas dos pés e o ritmo quente do "flamenco", tanto que essa palavra vem do árabe "felco" (camponês) e "mengu" (fugitivo) e passou a ser sinônimo de "cigano andaluz" à partir do séc. XVIII.

Porém de acordo com a Tradição Cigana, a teoria mais freqüente sobre a origem do Povo Cigano, é que após um período de adaptação neste planeta, os ciganos teriam surgido do interior da Terra e esperam que um dia possam regressar ao seu lar. Existem lendas que falam que os ciganos seriam filhos da primeira mulher de Adão, Lilith, e, portanto, livres do pecado original) e por isso eles não aceitam de modo algum ser empregados dos "gadjé" (não-ciganos) e apegam-se a antigas profissões artesanais que caracterizam suas tribos e são ensinadas desde cedo às crianças.



O Povo Cigano é guardião da LIBERDADE. Seu grande lema é: "O Céu é meu teto; a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião", traduzindo um espírito essencialmente nômade e livre dos condicionamentos das pessoas normais geralmente cerceadas pelos sistemas aos quais estão subjugadas. A vida é uma grande estrada, a alma é uma pequena carroça e a Divindade é o Carroceiro.

Em sua maioria, os ciganos são artistas (de muitas artes, inclusive a circense); e exímios ferreiros, fabricando seus próprios utensílios domésticos, suas jóias e suas selas. Rotulados injustamente como ladrões, feiticeiros e vagabundos, os ciganos tornaram-se um espelho onde os homens das grandes cidades e de pequenos corações expiaram suas raivas, frustrações e sonhos de liberdade destruídos. Pacientemente, este povo diferenciado, continuou sua marcha e até hoje seus estigmas não sararam.

Na verdade cigano que se preza, antes de ler a mão, lê os olhos das pessoas (os espelhos da alma) e tocam seus pulsos (para sentirem o nível de vibração energética) e só então é que interpretam as linhas das mãos. A prática da Quiromancia para o Povo Cigano não é um mero sistema de adivinhação, mas, acima de tudo um inteligente esquema de orientação sobre o corpo, a mente e o espírito; sobre a saúde e o destino.

A família é a base da organização social dos ciganos, não havendo hierarquia rígida no interior dos grupos. O comando normalmente é exercido pelo homem mais capaz, uma vez que os ciganos respeitam acima de tudo a inteligência. Este homem é o Kaku e representa a tribo na Krisromani, uma espécie de tribunal cigano formado pelos membros mais respeitados de cada comunidade, com a função de punir quem transgride, a rígida ética cigana. A figura feminina tem sua importância e é comum haver lideranças femininas como as phury-day (matriarca) e as bibi (tias-conselheiras), lembrando que nenhum cigano deixa de consultar as avós, mães e tias para resolver problemas importantes por meio da leitura da sorte.

Esse povo canta e dança tanto na alegria como na tristeza pois para o cigano a vida é uma festa e a natureza que o rodeia a mais bela e generosa anfitriã. Onde quer que estejam, os ciganos são logo reconhecidos por suas roupas e ornamentos, e, principalmente por seus hábitos ruidosos. São um povo cheio de energia e grande dose de passionalidade. São tão peculiares dentro do seu próprio código de ética; honra e justiça; senso, sentido e sentimento de liberdade que contagiam e incomodam qualquer sistema.

O líder de cada grupo cigano, chama-se Barô/Gagú e é quem preside a Kris Romanis (Conselho de Sentença ou grande tribunal do povo rom) com suas próprias leis e códigos de ética e justiça, onde são resolvidas todas as contendas e esclarecidas todas as dúvidas entre os ciganos liderados pelos mais velhos. O mestre de cura (ou xamã cigano) é um Kakú (homem ou mulher) que possui dons de grande para-normalidade. Eles usam ervas, chás e toques curativos. Os ciganos geralmente se reúnem em tribos para festejar os ritos de passagem: o Nascimento, a Morte, o Casamento e os Aniversários; e acreditam na Reencarnação (mas não incorporam nenhum espírito ou entidade). Estão sempre reunidos nos campos, nas praias, nas feiras e nas praças.

O misticismo e a religiosidade, fazem parte de todos os hábitos da vida cigana. A maior parte deles acredita em um único deus (Dou-la ou Bel) em eterna luta contra o demônio (Deng). Normalmente, assimilam as religiões do lugar onde se encontram, mas jamais deixam de lado o culto aos antepassados, o temor dos maus-olhados, a crença na reencarnação e na força do destino (baji), contra a qual não adianta lutar. O mais importante para o Povo Cigano é interagir com a Mãe Natureza respeitando seus ciclos naturais e sua força geradora e provedora.

Outro fato que chama a atenção para a provável origem indiana do povo cigano, é a santa por quem nutrem o mais devotado amor e respeito, chamada Santa Sara Kali. Kali é venerada pelo povo hindu como uma deusa, que consideram como a Mãe Universal, a Alma Mater, a Sombra da Morte. Sua pele é negra tal como Shiva.

Para os ciganos, Sara, santa venerada, possui a pele negra, daí ser conhecida como Sara Kali, a negra. Ela distribui bênçãos ao povo, patrocina a família, os acampamentos, os alimentos e também tem força destruidora, aniquilando os poderes negativos e os malefícios que possam assolar a nação cigana. Seu mistério envolve o das "virgens negras", que na iconografia cristã representa a figura de Sara, a serva (de origem núbia) que teria acompanhado as três Marias: Jacobina, Salomé e Madalena, e, junto com José de Arimatéia fugido da Palestina numa pequena barca, transportando o Santo Graal (o cálice sagrado), que seria levado por elas para um mosteiro da antiga Bretanha. Diz o mito que a barca teria perdido o rumo durante o trajeto e atracado no porto de Camargue, às margens do Mediterrâneo, que por sua vez ficou conhecido como "Saintes Maries de La Mer", transformando-se desde então num local de grande concentração do Povo Cigano.

Quase todos são devotos de "Santa Sara", que é reverenciada nos dias 24 e 25 de maio, em procissões que lotam Lês Saints Maries de La Mer, em Camargue, no Sul da França. Através de uma longa noite de vigília e oração, pelos ciganos espalhados no mundo inteiro, com candeias de velas azuis, flores e vestes coloridas; muita música e muita dança, cujo simbolismo religioso representa o processo de purificação e renovação da natureza e o eterno "retorno dos tempos".

A sexualidade é outro ponto importante entre os ciganos. E, ao contrário do que se imagina, eles têm uma moral bastante conservadora. Alguns mitos antigos falam da existência das mães-de-tribo, que tinham um marido e um "acariciador". Outros falam das gavalies de la noille, as misteriosas noivas do fim de noite, com quem os kakus se encontravam uma única vez, passando desde então, a ter poderes especiais. Mas o certo mesmo é que os ciganos se casam cedo, quase sempre seguindo acordos firmados entre as duas famílias. Não recebem nenhum tipo de iniciação sexual e ter filhos é a principal função do sexo. Descobrir os seios em público é comum e natural, mas nenhuma mulher pode mostrar as pernas, pois da cintura para baixo todas são merimé (impuras). Vem daí a imposição das saias compridas e rodadas para as mulheres, que também são proibidas de cortar os cabelos, e nunca sentam à mesma mesa que os homens. Ironicamente, como praticantes da magia e das artes divinatórias, são elas que cada vez mais assumem o controle econômico da família, pois a leitura da sorte é a principal fonte de renda para a maioria das tribos. O resultado é uma situação contraditória, em que o homem manda, mas é a mulher quem sustenta o grupo.

As crianças ciganas normalmente só freqüentam até o 1o. Grau nas escolas dos gadjés (não-ciganos), para aprenderem apenas a escrever o próprio nome e fazer as quatro operações aritméticas. A maioria das crianças não vai à escola com receio do preconceito existente em relação a elas. Claro que com o acelerado processo de aculturação, um bom número de ciganos, disfarçadamente, estão freqüentando as universidades e até ocupando cargos de importância na vida pública do país e já chegaram até à Presidência da República. (Washington Luiz e Juscelino Kubitshek).

Para o Povo Cigano, a Lua Cheia é o maior elo de ligação com o "sagrado", quando são realizados mensalmente os grandes festivais de consagração, imantação e reverenciação à grande "madrinha". A celebrações da Lua Cheia, acontecem todos os meses em torno das fogueiras acesas, do vinho e das comidas, com danças e orações. Também para os ciganos tudo na vida é "maktub" (está escrito nas estrelas), por isso são atentos observadores do céu e verdadeiros adoradores dos astros e dos sidéreos. Os ciganos praticam a Astrologia da Mãe Terra respeitando e festejando seus ciclos naturais, através dos quais desenvolvem poderes verdadeiramente mágicos.

Para uma kalin (cigana kalon), descendente desse povo, essa é uma hora em que precisamos estar atentos e vigilantes para ouvirmos uma espécie de "chamado mítico" que a dura realidade planetária está nos fazendo, e, nos unirmos em corpo e espírito com as forças maiores que regem esse universo.

Os Ciganos são "povos das estrelas" e para lá voltarão quando morrerem ou quando houver necessidade de uma grande evacuação. Há milênios eles vem cumprindo sua missão neste Planeta, respeitando e reverenciando a Mãe Natureza, trocando e repassando conhecimento. Eles pregam a necessidade urgente de pisar na superfície desse lindo "planeta água" (símbolo da emoção e da sensibilidade que preenche nossos corações) observando não só a violência praticada contra as minorias, como também os incríveis gestos de solidariedade humana mostrados via satélite ou pela Internet, na mesma velocidade da luz ou do pensamento humano, nessa era de virtualidade nem um pouco caracterizada pelas mais elementares virtudes.

OBS.: Parte deste texto foi retirada de uma Palestra apresentada pela Cigana Sttrada ( do clã Kalon) na 7ª edição do "Encontro para a Nova Consciência", em Fevereiro de 1998, em Campina Grande-PB.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Esquema de tráfico e escravidão de estrangeiros expõe EUA


















Seis pessoas ligadas à Global Horizons, com sede em Los Angeles, respondem processo por aliciar e submeter cerca de 400 tailandeses em regime de trabalho forçado, por meio de programa do governo norte-americano

Por Bárbara Vidal e Maurício Hashizume

Acusadas de transformar o "sonho americano" de centenas de tailandeses em pesadelo, seis pessoas ligadas à empresa Global Horizons respondem processo, desde o início de setembro, no que vem sendo chamado pelas autoridades norte-americanas como o "maior caso de tráfico de pessoas e trabalho escravo contemporâneo dos Estados Unidos".

O presidente da empresa, Mordechai Orian, se entregou à polícia em Honolulu, no Havaí. Ele chegou a ser preso, mas acabou sendo liberado após o pagamento da fiança - que foi reduzida de US$ 1 milhão para US$ 250 mil. Empresário de nacionalidade israelense, Mordechai permanece, porém, sob vigilância. Com receio de que o principal acusado pelo esquema fuja da ilha, procuradores federais pedem que ele seja novamente encarcerado. Caso seja condenado no julgamento que já foi marcado para fevereiro do ano que vem, o executivo poderá permanecer mais de 70 anos na cadeia.

Terceirizada encarregada da contratação de mão de obra para empreendimentos agrícolas, a Global Horizons deve prestar contas à Justiça pelas denúncias de aliciamento, servidão por dívida e trabalho forçado de cerca de 400 trabalhadores que deixaram a Tailândia, entre 2004 e 2005, para trabalhar em fazendas situadas em diversos estados dos EUA. E mais: todos as vítimas entraram no país mais rico do mundo por meio de umprograma federal para trabalhadores "visitantes", conhecido como H-2A.

Detalhes do esquema de escravidão vieram à tona com a publicação de reportagem pela revista Mother Jones (maio/junho de 2010). Sob o título "Atado pela América", o jornalista John Bowe - autor do livro Nobodies, que trata da mesma temática - descreve o contexto no qual se insere o H-2A. De acordo com ele, "o programa acomoda preocupações de todas as partes interessadas". Vale lembrar que, todos os anos, o governo norte-americano divulga uma relação que classifica diversos países do mundo de acordo com os problemas relacionados ao tráfico de pessoas. Em 2010 os EUA se auto-incluíram, pela primeira vez, na lista. É claro que no "Grupo A" de nações que mantém ações exemplares no combate ao problema.

"Os liberais favoráveis aos imigrantes podem se sentir bem trazendo trabalhadores estrangeiros para a ´luz da legalidade´. Empregadores do agronegócio cansados de regulações de fiscalização contra irregularidades trabalhistas se veem livres de lidar com o recrutamento, a acomodação e a supervisão de trabalhadores rurais. Ativistas antiimigração encontram conforto no fato de que, na teoria, esses temporários serão mandados para casa depois que o trabalho for encerrado", explica John Bowe. "Isso mostra por que trazer mais trabalhadores estrangeiros temporários é uma coisa aceita por quase todos no debate sobre imigração".

Na reportagem, o jornalista descreve a história de um tailandês de 35 anos que recebeu uma oferta para trabalhar por três anos nos EUA com um salário entre US$ 7 e US$ 10 por hora. A perspectiva de ganhos era de até US$ 50 mil por ano, 25 vezes mais que o valor médio acumulado por um empregado comum na Tailândia. Tudo isso de forma legal, como um trabalhador temporário "convidado", protegido pelas leis vigentes.

O esquema criminoso começava ainda na Tailândia. Para conseguir a vaga, os interessados tiveram de pagar taxas de recrutamento de US$ 11 mil até US$ 21 mil (R$ 19 mil a mais de R$ 35 mil) a "gatos" que atuavam como intermediários da Global Horizons na Ásia. Para conseguir o dinheiro, contraírram dívidas com agiotas, recorreram a empréstimos bancários e hipotecas de imóveis e terrenos, além do uso de recursos e bens de parentes.

De acordo com os relatos de vítimas, eles eram obrigados inclusive a assinar papéis em branco antes de partir da Tailândia para a América do Norte. Levados para lugares isolados do país - desde granjas em Utah até fazendas de fruticultura no Havaí, passando por propriedades nos estados de Washington, Pensilvânia e Colorado -, alguns tiveram os passaportes confiscados. Agentes da Global Horizons permaneciam nos locais onde estavam trabalhando para garantirem que os estrangeiros não fugissem.

A jornada prometida era de 8 horas diárias, mas o trabalho era tão instável que, por vezes, não chegava a 4 horas. Em certos dias, eles sequer iniciavam o turno, o que resultava em vencimentos muito aquém do combinado. Na prática, os "convidados" trabalhavam tantas horas quanto a empresa quisesse, isto é, permaneciam à mercê dos empregadores.

Houve casos de agressão física, ameaças de "deportação" em caso de "mau comportamento" (alguns trabalhadores foram mandados de volta a seus países de origem no meio do programa). Na teoria, eles estavam livres para deixar seus trabalhos a qualquer momento. Mas, o descumprimento das ordens dos empregadores e o retorno implicavam em riscos diretos e indiretos a toda família. Ou seja, na prática, eram escravos contemporâneos.

De acordo com Susan French, procuradora da Divisão dos Direitos Civis do Departamento de Justiça dos EUA, todos os anos muitas companhias são processadas por submeter trabalhadores em condições análogas à escravidão. São, segundo ela, apenas pontas de icebergs. Para monitorar os locais de emprego de todos os 137 milhões de pessoas em atividade nos EUA, a Divisão de Salários e Horários do mesmo Departamento tem apenas 953 funcionários. Desde 1973, o número caiu 14%, enquanto a quantidade de trabalhadores aumentou 50% durante o mesmo período.

Uma das fazendas que matinha trabalhadores estrangeiros da Global Horizons era a Maui Pineapple Co., que fazia parte da Maui Land & Pineapple Co., cuja maioria pertence a Steve Case, co-fundador da AOL, outro acionista é Pierre Omidyar, fundador da eBay, "benfeitor generoso de organizações anti-escravistas", de acordo com o repórter, John Bowe.

Presidente e fundador da Global Horizons, Mordechai "Motty" Orian chegou a conceder entrevista a John Bowe na sede da empresa em Los Angeles. O empresário relatou que fazendeiros pagavam entre 45% a 80% a mais por cada trabalhador para contratar a empresa. Além de "economizar" com gastos de transporte, alojamento, alimentação, salários e assistência, os empregadores optavam pelos serviços da terceirizada principalmente pelo controle. Mordechai chegou inclusive a citar ao jornalista que um produtor da Carolina do Norte reclamava que "se trouxesse 200 mexicanos do México, sabia que 100 deles deixariam o emprego". Já os tailandeses, isolados por dívidas, pela distância e pela ausência de ligações culturais e comunitárias, dificilmente tinham como deixar as fazendas.

Quando perguntado sobre as dívidas dos trabalhadores estrangeiros, o dono da Global Horizons desfiou uma série de respostas. Uma foi a de que eles mentiam sobre o montante de dinheiro pago. A outra foi zombar da ideia de que pudesse existir alguém suficientemente estúpido para assinar papéis em branco. E a terceira foi culpar o sistema, pois eram contratados por "gatos" de "gatos" de "gatos". Cada intermediário, justificou, faz as suas promessas para atrair gente e tirar o seu quinhão no negócio. E completou: "Governos do Terceiro Mundo estão sempre sujeitos à corrupção".

Em 2006, após constatar que a Global Horizons "sabidamente forneceu falsas informações" acerca do programa de emprego temporário para estrangeiros "convidados" na área de agricultura, o Departmento do Trabalho proibiu a empresa de trazer novos trabalhadores do exterior.

Um relatório de 2007 do Southern Poverty Law Center aponta que esses "convidados" têm pouquíssimos direitos. As taxas de recrutamento - algumas delas inclusive legalizadas - oferecem um poderoso incentivo para que empresas se animem a atuar na área de importação de mão de obra estrangeira quanto e por quanto tempo for possível, mesmo diante de pouco serviço. Esses casos envolvem trabalhadores que já chegam aos Estados Unidos com dívidas monumentais e levam famílias à bancarrota. Só no ano passado, 60 mil estrangeiros entraram nos EUA como "convidados".

Chanchanit Martorell, diretora-executiva do Centro de Desenvolvimento da Comunidade Tailandesa, afirma que mais de 1,1 mil vistos de trabalho agrícola estavam sendo emitidos pela Global Horizons aos tailandeses. O centro oferece assistência às vítimas de tráfico de pessoas que conseguiram escapar dos empregadores e buscam permanecer nos EUA.

"Já faz muito tempo [que esse tipo de problema vem ocorrendo], mas nós temos persistido e lutado e finalmente chagado a alcançar uma vitória muito importante", afirmou Chanchanit ao Los Angeles Times. Além do presidente da Global Horizons, o diretor de relações internacionais, o supervisor regional do Havaí, o supervisor de campo local e mais dois aliciadores foram acusados no processo judicial que tramita no Havaí.

Também ao LA Times, o agente especial do Federal Bureau of Investigation (FBI), a Polícia Federal dos Estados Unidos Tom Simon foi preciso na descrição do caso: "Antigamente costumavam manter escravos com chicotes e correntes. Hoje, eles são mantidos por ameaças econômicas e intimidação".

Delegado Pistoleiro promete internação obrigatória para Usuários de Drogas –



Seguindo uma linha entre o bizarro e o grotesco, o discurso político parece refletir um pouco moralismo radical que ainda possui forte presença na cultura brasileira.

Com isso, o time da BadList ganha um novo reforço. De Goiás, o Delegado Waldir, do PSDB, usa seu espaço na TV para defender causas que lembram os tempos da ditadura. O destaque fica por conta da proposta de internação obrigatória para usuários de drogas. BadList nele! Confira o vídeo e conheça outros motivos para não votar no delegado:


Click no Titulo e veja o vídeo.

Thrash reis...

sábado, 9 de outubro de 2010

CGT CONVOCA - GREVE GERAL NO ESTADO ESPANHOL



Greve Geral na Espanha. DIA 29 DE SETEMBRO É GREVE O Estado espanhol é, que compõem a União Europeia, um dos que enfrenta uma situação económica mais difícil, com cerca de desemprego real de 20% da população. As medidas de adaptação apresentado pelo governo para encher os cofres do Estado e estimular a economia, que carregam todo o peso sobre as classes sob a forma de queda dos salários, impostos sobre o consumo, reduzindo as pensões, os cortes nos benefícios o desemprego, a privatização, e os obstáculos à organização dos trabalhadores (como melhores instalações para o despedimento e as restrições à negociação coletiva). A fim de abordar estas medidas impopulares, a partir do sindicalismo mais militante leva exigindo a convocação de uma greve geral desde a eclosão da crise, mas por causa de sua falta de aplicação fora das áreas determinadas, este compromisso não tenha sido na prática, resultou na sequência da greve geral convocada para 29 de setembro pelo CCOO e UGT. É muito importante que a greve geral, um sucesso e em 29 de setembro tem no trabalho e nas ruas de uma resposta o número de pessoas possível à política do governo Zapatero. Se o ataque falhar, o fracasso não só das pessoas mais público percebe como organizadores, CCOO e UGT, mas toda a classe. Pelo contrário, na medida em que a greve bem-sucedida, que o sucesso dos trabalhadores, uma vez que irá demonstrar a força reside em nossa unidade e, portanto, um passo em frente na nossa consciência e os níveis organizacionais. Carta de apoio As organizações abaixo assinadas, desejamos expressar nosso apoio à greve, a CGT convoca para 29 de setembro no Estado espanhol. A situação geral de crise está afetando a classe trabalhadora e, especialmente, o mais precário. Isso está acontecendo em muitos países, com o estado espanhol um dos mais afetados. Partilhamos com os nossos colegas da CGT as razões para o convite, que são outra coisa senão defender as liberdades e os direitos laborais, sociais, de interesse económico, ambiental de todos os trabalhadores e todas as classes de ataques contra companhias multinacionais e instituições financeiro. Consideramos inaceitável a nova reforma trabalhista, o plano de ajuste para reduzir o défice e da futura reforma do sistema de pensões que o governo de Zapatero quer impor aos trabalhadores. Estas medidas são extremamente injusto, pois o custo da crise encontra-se com as classes trabalhadoras e não os verdadeiros culpados da crise. É inaceitável que as instituições que criaram a crise são aqueles que impõem suas propostas para sair dela, pois envolvem uma redução dos impostos para a classe trabalhadora e um aumento nos lucros para o sistema capitalista em geral. Do mesmo modo, nós juntamos o tema escolhido pela CGT para esta Greve Geral: "Sobre a distribuição de riqueza e trabalho." A repartição das tarefas: trabalham menos e todo mundo de trabalho, redução da jornada de trabalho (sem perda de remuneração) e idade de reforma, impedindo demissões em massa e irrelevantes, assim como horas extraordinárias e trabalho à peça, etc. Espalhar a riqueza, entendida não como um dividendo ou partes da população, mas usando esse dinheiro em benefícios previdenciários e salários para todas as pessoas em pé e distribuição conjunta de recursos. A crise é tão difundido, tanto para as organizações militantes são incentivados a continuar a trabalhar para uma continuidade das mobilizações. Solidariedade Internacional # USI - Unione Sindacale Italiana (Italia) # IP - Inicjatywa Pracownicza (Polonia) # CNT-F - Confédération nationale du travail (Francia) # IWW - Industrial Workers of the World (UK) # ESE - Sindicato Libertario Griego (Grecia) # SAC - Sveriges Arbetares Centralorganisation (Suecia) # "La Voz de los Zapotecos Xiches en Prisión" adherente a la Otra Campaña (México) # Colectivo 20 de Junio (Zaachila Oaxaca) (México) # María Antonieta Robles Barja , Trabajadora Social , Baja California (México) # Julio Cesar Rincón, (México) # Coordinadora Valle de Chalco (México) # LA KARAKOLA , Espacio social y kultural (México) # La Otra ciudad de Chihuahua, (México) # Nicte-Há Dzib Soto, Niñas y Niños en La Otra Campaña-DF (México) # Edilberto Bautista Dìaz, Scr Gral del Sindicato Democrático de Trabajadores de la Procuraduría Social del Distrito Federal (México) # La Red vs la Represión en Chiapas (México) # Frente Popular Darío Santillán (Argentina) # SNAPAP Sindicato Nacional Autónomo del Personal de la Administración Pública (Argelia) # Asel Luzarraga (Chile) # Frente Popular Francisco Villa Independiente-UNOPII (México) # Colectivo Radio Zapatista (México) # Federazione dei Comunisti Anarchici (Italia) # Hombre y Sociedad (Chile) # Colectivo Socialista Libertario (Uruguay) # Periódico Rojo y Negro (Uruguay) # Organisation Socialiste Libertaire (Suiza) # Federación Anarquista Uruguaya (Uruguay) # Unión Socialista Libertaria (Perú) # Grupo Antorcha Libertaria (Colombia) # Union Communiste Libertaire (Canadá) # Red Libertaria de Buenos Aires (Argentina) # Organización Revolucionaria Anarquista - Voz Negra (Chile) # Estrategia Libertaria (Chile) # Melbourne Anarchist Communist Group (Australia) # Alternative Libertaire (Francia) # Federação Anarquista do Rio de Janeiro (Brasil) # Federação Anarquista de São Paulo (Brasil) # Miami Solidarity & Autonomy (EEUU) # Organización Anarquista por la Revolución Social (Bolivia) # Frente Autentico del Trabajo (México) # Moez Jemai - journaliste- syndicaliste (Túnez) # La Fédération SUD service public, canton de Vaud (Suiza) # CUB, Confederazione Unitaria di Base (Italia) # Votán Zapata (México) # UNICOBAS (Italia) # Instituto Nacional Sindical (Colombia) # Columna Libertaria Joaquin Penina – Rosario, (Argentina) # Libertære Socialister (Dinamarca) # Centro Internacional de Estudios Sociales (Uruguay) # Red Libertaria Popular Mateo Kramer (Colombia) # Centro de Estudios Sociales Manuel González Prada, Huancayo (Perú) # Tendencia Estudiantil Libertaria (Perú) # Movimiento Manuel González Prada (Perú) # Sociedad de Resistencia - Santiago (Chile) # Workers Solidarity Movement (Ireland)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BOLETIM DO CENTRO DE MÍDIA INDEPENDENTE

BOLETIM DO CENTRO DE MÍDIA INDEPENDENTE - O2 2010
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http://www.midiaindependente.org --------


01) INDÍGENAS NO INCÊNDIO DA FAVELA REAL PARQUE
02) JORNADA DE LUTAS DO MTST
03) EXISTE DITADURA MIDIÁTICA ALÉM DO VOTO
04) DOUTOR EDBERTO É A DOENÇA DO POVO: OCUPAÇÃO RESISTE NO INTERIOR
DE PERNAMBUCO
05) MOSTRA DE FILMES + DEBATE SOBRE TRANSPORTES PÚBLICOS
06) ATOS CONTRA O GOLPISMO MIDIÁTICO
07) SOLIDARIEDADE À NOVA OCUPAÇÃO DO MTST, NO CENTRO DO RECIFE
08) ANATEL TENTA FAZER APREENSÃO ILEGAL DAS RÁDIOS LIVRES XIBÉ E VOZ DA ILHA
09) JN NO AR EM TEFÉ (AM)
10) CÂMARA DOS VEREADORES DE FLORIANÓPOLIS MANTÉM SOB PROTESTOS A
PRIVATIZAÇÃO DO TRANSPORTE COLETIVO.
11) APÓIE NOVA OCUPAÇÃO DO MSTB EM SALVADOR!
12) JULGAMENTO DE GEGE SERÁ DIA 16 E ATO DIA 17 DE SETEMBRO DE 2010



01) INDÍGENAS NO INCÊNDIO DA FAVELA REAL PARQUE

*INDÍGENAS NO INCÊNDIO DA FAVELA REAL PARQUE *

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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/09/478106.shtml



02) JORNADA DE LUTAS DO MTST

Entre os dias 20 a 23 de setembro, a Resistência Urbana se mobilizou e
organizou uma jornada de lutas nacional, que procurou questionar algo
recorrente na atual conjuntura do país: os despejos. Por isso, foram
realizadas uma série de ações pelo país, parte de uma jornada de lutas
nacional, que questiona a atual política de moradia do país, que já
atingiu e vai atingir as periferias de cidades por todo o país.

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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/09/477997.shtml



03) EXISTE DITADURA MIDIÁTICA ALÉM DO VOTO

Levando em consideracão os comentários publicados no editorial"Atos
Contra o Golpismo Midíatico", algumas matérias publicadas na coluna da
direita nos últimos dias (II) e ponderações internas entre
os/as voluntários/as do CMI, gostaríamos de deixar claro para todos/as
que o CMI não apoia nenhum partido, candidato(a) ou governo.

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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/09/477867.shtml



04) DOUTOR EDBERTO É A DOENÇA DO POVO: OCUPAÇÃO RESISTE NO INTERIOR
DE PERNAMBUCO

A promessa da moradia levou alguns habitantes de Condado, na Zona da
Mata Norte de Pernambuco, a reelegerem o atual prefeito. O Dr. Edberto
- que também é médico - prometeu em meados de 2007 construir um
conjunto habitacional para mais de 170 famílias. Para que ele
conseguisse, no entanto, dizia precisar apenas do voto destas pessoas.
E teve. Desde então, integrantes do movimento sem-teto ligadas à
associação de mulheres do município esperam pelo terreno e casas
prometidas.

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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/09/477718.shtml



05) MOSTRA DE FILMES + DEBATE SOBRE TRANSPORTES PÚBLICOS

O Movimento Passe Livre de São Paulo têm o orgulho de convidar você
para a mostra "A Ilusão paga Passagem", no sábado, dia 25/09, às 14
horas no Espaço Ay Carmela!.

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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/09/477701.shtml



06) ATOS CONTRA O GOLPISMO MIDIÁTICO

O Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé está organizando um
importante ato de resistência às ações eleitorais da grande imprensa. O
ato, no auditório Wladimir Herzog, do Sindicato dos Jornalistas do
Estado de São Paulo, terá participação de Centrais Sindicais,
movimentos sociais, partidos, profissionais de comunicação e
personalidades das mais variadas correntes. O evento tem apoio do
movimento de blogueiros progressistas.

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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/09/477623.shtml



07) SOLIDARIEDADE À NOVA OCUPAÇÃO DO MTST, NO CENTRO DO RECIFE

"Uma casa desocupada não é, efetivamente, uma casa" (Karl Marx)

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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/09/477597.shtml



08) ANATEL TENTA FAZER APREENSÃO ILEGAL DAS RÁDIOS LIVRES XIBÉ E VOZ DA ILHA

No dia 17 de setembro, às 11h30, agentes da ANATEL sem identificação
precisa, apresentando apenas crachás com os nomes Fábio e Diego e sem
mandado judicial, tentaram intimidar professores e estudantes da
Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em Tefé com afirmações
distorcidas sobre a lei. A intenção de realizar uma repressão
arbitrária ficou patente quando quiseram realizar a apreensão ilegal
dos equipamentos da rádio livre Xibé. Mesmo com a regulamentação atual
isto não é permitido. Os agentes ficaram furiosos quando um professor
disse que eles não tinham poder de polícia, mais um sinal de que
estavam ali por pressão dos que articulam o monopólio comercial e
político dos meios de comunicação no Amazonas. Diante da dificuldade
dos agentes para entender quem seriam os responsáveis pela rádio para
uma "atuação", mandaram a diretora escolher quem assumiria a "culpa"
ou se seria a instituição, e saíram para almoçar. Nesse meio tempo os
comunitários da cidade, diante da possibilidade de uma apreensão
ilegal, tiraram os equipamentos da universidade.

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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/09/477484.shtml


09) JN NO AR EM TEFÉ (AM)

Na edição do dia 15 de setembro do Jornal Nacional, a cidade de Tefé
foi "sorteada" para receber a visita do jatinho do "Projeto JN no AR".
Logo, um alvoroço tomou conta da cidade, todos se perguntavam o que
será que eles vão abordar? As expectativas eram muitas, boa parte
concentrava-se na indignação da população com o serviço de fornecimento
de energia elétrica. Problema existente há séculos na cidade e nem
mesmo as manifestações constantes da população durante esse período foi
capaz de solucionar.

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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/09/477447.shtml



10) CÂMARA DOS VEREADORES DE FLORIANÓPOLIS MANTÉM SOB PROTESTOS A
PRIVATIZAÇÃO DO TRANSPORTE COLETIVO.

Ontem dia 14 de setembro sob protestos a Câmara de Vereadores de
Florianópolis aprovou por num processo relâmpago e sem consultar a
população, um Projeto de Lei Complementar da Prefeitura, que mantém o
atual modelo de concessão, entregando nas mãos das empresas o direito
de explorar o transporte coletivo da cidade por até 35 anos.

Matéria completa:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/09/477391.shtml



11) APÓIE NOVA OCUPAÇÃO DO MSTB EM SALVADOR!

Quarenta famílias desabrigadas pelos recentes desabamentos de casarões
do Centro Histórico, integrantes do Movimento de Sem-Teto da Bahia
(MSTB), ocuparam um prédio azul de sete andares na Av. Jequitaia, perto
do Mercado do Peixe de Água de Meninos, vizinho à Hidrobombas. Segundo
os ocupantes, o prédio fora desapropriado para ser destruído na obra da
Via Expressa, mas com a mudança de projeto ele ficou onde estava, e
abandonado já há muitos anos.
Matéria Completa e Fotos

Matéria completa:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/09/477367.shtml



12) JULGAMENTO DE GEGE SERÁ DIA 16 E ATO DIA 17 DE SETEMBRO DE 2010

Atualização: Sai a
liberdade provisória de Gegê

Matéria completa:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/09/477276.shtml

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Breve História da Literatura de Cordel



O livro Breve História da Literatura de Cordel, que será lançado no dia 5 de outubro, na Martins Fontes da Paulista, é minha contribuição ao estudo deste gênero da poesia popular que decidi abraçar e que me abraçou, desde a infância.



Abaixo, palavras do professor Aderaldo Luciano, estudioso do tema, que fecham a apresentação da obra:

Não nos resta dúvida da importância desta Breve história para os futuros pesquisadores. Nela, o autor define as diferenças entre o Cordel e o poema matuto, revisa a cronologia cordelística, identifica algumas áreas de difusão, desfila as principais editoras e faz um mapa da produção contemporânea, apontando seus principais autores. Repetimos: não é só. Além disso, toca com precisão num ponto controverso do Cordel: as ilustrações. Avalia o peso da xilogravura, tida e havida desde a década de 1980 como sinônimo de Cordel, o que, até hoje, ressoa no peito de alguns autores e amantes do cordelismo. Marco elenca, ainda, os produtores dessa arte, mas faz questão de deixá-la no lugar onde merece: ao lado do Cordel, mas não se confundindo com ele.

Nesta
Breve história encontraremos os diálogos mantidos entre o Cordel e outras formas de arte, outras produções literárias. São apresentados nomes de importantes ilustradores que, com traços e cores bem distintos, dão ao Cordel a força de ser tradição e vanguarda, de trazer continuação e ruptura, de ser arte e entretenimento, além de ser a única forma poética genuinamente brasileira. Ousamos afirmar sem qualquer receio: quem quiser saber o que é Cordel encontrará neste título da coleção Saber de Tudo uma lanterna.



A obra foi dividida em nove capítulos. Abaixo, os títulos dos capítulos e uma visão mais abrangente do conjuto:

1. Cordel atemporal

As vertentes da chamada poesia popular. As diferenças entre Cordel, repente e poesia matuta. A genialidade de Leandro Gomes de Barros. O pioneirismo arrojado de José Galdino da Silva Duda

2. Nordeste medieval

Presença do imaginário medieval no Nordeste. Carlos Magno na poesia popular. Zé Garcia, um avatar de Roldão. Roberto do Diabo e suas reencarnações.

3. Romanceiro e cantos populares

Fontes primárias do Cordel. Romances sentimentais. A gesta do gado. AHistória do boi misterioso.

4. O menestrel e o bandoleiro

Cego Aderaldo. A peleja inventada por Firmino Teixeira do Amaral. Lampião. Pequena antologia de romances do cangaço.

5. No reino da picardia

Pícaros no Cordel. Como Ariano Suassuna buscou no Cordel o motivo de sua criação mais famosa. João Grilo, Cancão de Fogo, Bocage, Camões e Pedro Malazarte: os amarelinhos.

6. O Cordel no Sudeste

A Literatura de Cordel em São Paulo. A importância da Editora Luzeiro. A caravana do Cordel e outras iniciativas. O Cordel no Grande Rio.


7. Renascer nordestino

Crise e ressurgimento do Cordel no Nordeste. A criação da Tupynanquim Editora. O projeto Acorda Cordel na Sala de Aula. Novo Cordel?

8. Da capa cega à policromia

As muitas formas de se ilustrar um Cordel: capa cega, desenhos, clichês, xilogravuras e policromia.

9. Influências e confluências

Presença do Cordel na cena cultural brasileira. O Cordel no Cinema de Glauber Rocha. Diálogos com outros gêneros literários.

Nota: estarei na nobre companhia da escritora Ana Lúcia Merege, que lançará o excelente ensaio Os Contos de Fadas: origens, história e permanência no mundo moderno, também integrante da Coleção Saber de Tudo.

Data: terça-feira,05 de outubro de 2010, das 18:30 às 21:30.
Local: Livraria Martins Fontes.
Endereço: Av. Paulista, n° 509 - Cerqueira César - São Paulo - SP
Com estacionamento conveniado

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CELIP convida: Anarquismo na Revolução Russa e Ucraniana 25/09 - às 14h




Palestra seguida da exibição do filme: Makhno, um camponês da Ucrânia.

A Revolução Russa, que fora realizada pelo conjunto da classe trabalhadora
contou com a participação ativa do anarquismo em seu interior. Estes
atuaram em defesa dos sovietes livres, entidades organizativas
constituídas pelos trabalhadores muito antes de 1917. Enquanto as estepes
russas ferviam, na Ucrânia um processo de insurreição social era realizado
pelos camponeses de toda a região.

Esmagados pela repressão bolchevique, os anarquistas russos e ucranianos
assistiram os sovietes transformarem-se de entidades autogeridas pelos
trabalhadores à simples correia de transmissão do Partido Bolchevique.

Ainda assim, as lições da Revolução Russa e Ucraniana foram fundamentais
para a compreensão das trajetórias e estratégias do anarquismo e do
conjunto da classe trabalhadora.

ONDE: Centro de Cultura Social. Rua Torres Homem 790 - Vila Isabel.
Próximo à Escola de Samba Vila Isabel e ao final do Boulevard 28 de Setembro.

# ÔNIBUS: 433, 432, 438, 232, 268, 638, etc.
# METRÔ: Comprar o bilhete de integração para Vila Isabel.
# TREM: Descer na estação maracanã e pegar um ônibus que desca a 28 de
Setembro.



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Federação Anarquista do Rio de Janeiro - FARJ
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www.farj.org
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

ENTREVISTA COM A FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA

PROTESTO NÃO É CRIME!
ENTREVISTA COM A FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA

O jornal Socialismo Libertário, periódico nacional do Fórum do Anarquismo
Organizado (FAO), conversou com um militante da Federação Anarquista
Gaúcha, FAG, neste momento em que se aproxima a data da audiência na qual
6 militantes da organização foram intimados. Será no dia 19 de julho e
contará com a presença da governadora Yeda Crusius em pessoa, fazendo a
sua denúncia contra a FAG.

Socialismo Libertário:Poderíamos fazer uma pequena retrospectiva dos fatos
que levaram vocês a terem a sede invadida pela polícia civil e seus
militantes intimados judicialmente?

Militante Faguista: Em 21 de agosto, durante uma sinistra operação de
guerra montada pela Brigada Militar no despejo da ocupação dos
trabalhadores do MST na fazenda Southall, no município de São Gabriel, foi
assassinado Elton Brum. O crime foi ato premeditado do Estado. O
companheiro Sem Terra foi alvejado pelas costas pela polícia com disparo
de calibre 12. Esse fato comoveu todo o movimento popular e sindical,
direitos humanos e grupos de foro internacional. Imediatamente se
organizaram caravanas solidárias para São Gabriel, a cidade onde se
consumou um golpe de morte que era anunciado pelas escalada de violência
do Estado contra o protesto e a pobreza. Em Porto Alegre no mesmo dia
levantamos com outros setores organizados da luta um ato de solidariedade
ao MST e de repúdio ao governo de Yeda Crusius e a Brigada Militar. Dessa
mobilização imediata resultou a decisão da FAG de levar pra rua uma
campanha de agitação denunciando o crime e responsabilizando os seus
mandantes, nesse caso o chefe das operações e o governo do Estado. Pois a
própria Yeda Crusius em pessoa fez uma queixa crime contra os militantes
da FAG por calúnia e difamação e abriu este processo judicial que se
arrasta até sabe-se lá quando.

SL:Como vocês definiriam a conjuntura para os movimentos populares no RS,
nos últimos anos?

MF: Em uma análise discutida e aprovada pelo Conselho Federal da
organização que recorria aos fatos repressivos e os esquemas corruptos que
sucediam a leitura que fizemos era de evidências de um Estado policial com
alto grau de truculência, dentro do regime democrático burguês, aos pobres
e os setores organizados da luta. Vivemos a combinação explosiva de um
governo corrupto até a medula, de uma oposição parlamentar rendida as
cláusulas neoliberais do empréstimo do Banco Mundial e uma pauta
repressiva implacável às manifestações da pobreza e do protesto social nas
ruas ou no campo. Essa conjuntura ainda teve a mediação de um discurso
reacionário que ganhou circulação pela mídia e pedia mão pesada contra as
“desordens” que vem de baixo. Nessa produção poderosa da comunicação
dominante ganhou palco e holofote o comandante da Brigada Militar Paulo
Roberto Mendes que foi batizado “capitão Nascimento dos Pampas”. Paralelo
ao fogo cruzado dos inquéritos, investigações e polêmicas que
convulsionavam a máquina do governo e também do ajuste fiscal que
desmontou com os serviços públicos e a política social, o comandante
Mendes era o símbolo da ação do Estado.

Em 2008 a luta de classes no estado do RGS passou por um momento
brutalmente repressivo enquanto o governo de Yeda Crusius se equilibrava
na corda bamba para passar impune a fraude com dinheiro público do
Departamento Estadual do Trânsito, a língua solta do vice-governador
Feijó, a morte mal explicada do representante do estado em Brasília, caixa
dois de campanha pra compra da mansão da governadora, etc... Como
dissemos, em 2008 a mão pesada desceu o cacete. Pra lembrar melhor. Em
janeiro o encontro estadual do MST em Sarandi foi cercado, paralisado e
invadido por um contingente absurdo da polícia constituindo numa grave
violação dos direitos democráticos. Em fevereiro uma manifestação do
Encontro Latino Americano de Organizações Populares (ELAOPA) em Porto
Alegre, durante conferência mundial das cidades teve que se defender da
agressão policial. Em Rosário do Sul, na jornada das mulheres camponesas
pelo 8 de março uma ocupação em terras da zona de fronteira que são
ilegalmente invadidas pela empresa sueco-finlandesa Stora Enzo terminou
reprimida selvagemente sem discriminação de crianças. Pela metade do ano
mais episódios. Uma batalha em frente a um supermercado da rede Wall Mart
em Porto Alegre deixou vários companheiros de mov. Sociais do campo e da
cidade feridos e um em estado grave. Em Passo Fundo na ocupação da Bunge
mais violência policial. Um piquete de grevistas do sindicato dos
bancários em Porto Alegre foi surrado covardemente. A marcha dos sem, que
todos os anos se realiza na capital do Rio Grande foi proibida de chegar
perto do palácio do governo e dispersada a balas de borracha e bombas
pelas forças repressivas.

Uma ação do Ministério Público estadual pediu a cabeça do MST, suspendeu
as escolas itinerantes, quis por fora da lei, proibir, amordaçar, a maior
força social dos oprimidos do país. A conjuntura tinha prenúncios
sinistros de morte, de perda de companheiro, dada a escalada repressiva
que investiu com força sobre a resistência popular. Nos bairros e vilas da
periferia, nas favelas, a prisão sobretudo da juventude negra e pobre foi
incorporada no aparelho como política de limpeza social. Foi assim que se
fez em 21de agosto de 2009 o assassinato do trabalhador sem terra Elton
Brum. Em meio a peleja histórica que faz o MST no coração do latifúndio,
na “terra dos generais” chamada São Gabriel.

Pois nos parece que desse padrão repressivo intenso que resistimos agora
nos sobrou a judicialização dos conflitos. É onde estamos. O governo Yeda
voltou a caça as bruxas no final de mandato contra os seus opositores.
Pelo menos três casos são emblemáticos desses ataques judiciais. O
protesto em frente a residência da governadora organizado por sindicatos e
partidos de esquerda; a campanha publicitária do fórum dos servidores
públicos, liderada pelo Cpers-Sindicato contra o governo; e a propaganda
da FAG denunciando os responsáveis pelo assassinato de Elton Brum. Todos
chamados ao Foro Central na 6° vara criminal para responder a queixas
crimes da governadora como réus.

SL: Por que, na opinião de vocês, o assassinato de Elton Brum não gerou
uma onda de protesto, como costuma ocorrer nestes casos, como por exemplo,
na Argentina (Dario Santillán e Maxiliano Kosteck) ou Grécia (Alexandrous
Grigoropoulos)?

MF: O assassinato estava inscrito dentro de uma conjuntura mais geral onde
atravessavam as lutas e mobilizações populares contra a dura política de
ajuste fiscal do governo. Temos nossa própria avaliação, nossas hipóteses
sobre isso. Estava formada no Rio Grande do Sul uma campanha que tinha
centro na luta política contra o governo, pelo Fora Yeda, que contava como
setor mais dinâmico das cidades o sindicato dos trabalhadores da educação.
O governo Yeda vinha colecionando escândalos e cambaleando no fogo cruzado
da crise política, com fraturas expostas na própria base. Uma Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instalada na Assembleia Legislativa do
estado que deu cena ao PT e suas ambições eleitorais. O reformismo ganhou
protagonismo como intermediário político da luta que se ampliava nas ruas
e nos locais de trabalho do setor público. Com o tempo o parlamento e a
comissão de inquérito passou a ganhar lugar mais decisivo, deslocou a ação
direta popular. Esse é o primeiro elemento.

O segundo é o prejuízo que resultou a falta de independência de classe do
movimento sindical, especialmente das forças organizadas na CUT, que se
burocratizaram aos trâmites da CPI e os interesses evidentes do PT em
sangrar o governo até as próximas eleições esvaziando a luta das ruas e
ganhando protagonismo pela oposição no parlamento. Essa relação de correia
da central sindical com o PT explica a ausência completa de um plano de
ação contra os acordos do governo Yeda com o Banco Mundial que na
Assembleia Legislativa tiveram aprovação unânime, incluso do PT e do PC do
B. Pois a falta de independência de classe que nos referimos impediu que
se realizassem modalidades mais fortes de ação que pudessem provocar a
caída do governo.

Em terceiro, o acontecimento de São Gabriel, o assassinato de Elton Brum,
elevava o grau da crise política gaúcha para uma situação em que um plano
de ação direta unificado, do campo e da cidade, como por exemplo: a
paralisação de todo o serviço público, piquetes nas zonas industriais ou o
bloqueio de estradas e rodovias poderiam ter desestabilizado seriamente o
governo do estado e mudado a correlação de forças a nosso favor.

A concepção reformista não procura decisão pela luta direta dos
interessados, o que pode fugir do seu controle, mas pelos intermediários.
O movimento popular e sindical é grupo de pressão enquanto os agentes
parlamentares decidem e ganham os créditos.

SL: Qual tem sido o papel da imprensa gaúcha nos episódios de violência
policial?

MF: Das mídias burguesas foi evidentemente de uma desinformação criminosa.
Os grupos dominantes da comunicação são parte fundamental de uma estrutura
de poder que pôs na agenda da política a criminalização do protesto e da
pobreza.

SL:Que papel tem uma organização política anarquista num momento como este?

MF: Somos uma pequena organização dentro desse cenário, contudo fizemos
nosso lugar nas lutas que fizeram pauta na sociedade. Estar junto com os
que lutam deve ser um lema dos anarquistas, em qualquer lugar. Lutar
contra um governo corrupto e neoliberal e defender resolutamente as
liberdades públicas, apostando na força social das ruas, na ação direta
popular é nossa razão de ser. É aí que se abre perspectiva libertária, que
se geram relações de força para formas de poder popular contra os
intermediários reformistas.

SL:Vocês têm recebido solidariedade de fora do RS, como têm sido isso?

MF: Muita, muita solidariedade. De todos os cantos do Brasil, de nossa
América Latina e do Mundo. Logo depois da invasão da polícia na sede da
FAG, em poucos dias, se fizeram atos solidários no Uruguai, na Argentina,
na Espanha, na França, etc... Distintos grupos, organizações, militantes,
meios alternativos e libertários nos fizeram chegar seu apoio. Somos muito
agradecidos por todos e todas que nessa hora se moveram por essa causa.

SL:O que esperar para o dia 19 de julho?

MF: Mobilização da FAG e de todos e todas que sejam solidários, ou que
façam causa comum na pauta contra a criminalização do protesto. No dia 19
de julho estaremos concentrados para um ato de protesto. Não reconhecemos
a acusação de calúnia e difamação que a governadora nos imputa. Estaremos
até o fim por justiça e punição dos responsáveis pelo assassinato de Elton
Brum.

SL:Palavras finais?

MF: Não tá morto quem peleia!!!


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domingo, 12 de setembro de 2010

ATO PÚBLICO EM SOLIDARIEDADE A@S PRES@S ANARQUISTAS NO CHILE



 ATO PÚBLICO EM SOLIDARIEDADE A@S PRES@S ANARQUISTAS NO CHILE    SEGUNDA-FEIRA 13 DE SETEMBRO    CONCENTRAÇÃO: 2 p.m No MASP. Av Paulista    São Paulo    No dia 14 de Agosto de 2010 14 pessoas foram presas em Santiago do Chile e Valparaíso. Dez delas continúam presas até hoje, acusadad@s de associação ilícita terrorista com porte e/ou colcação de artefatos explosivos. Não existe nenhuma prova que demonstre a culpabilidade d@s compas em tais atos, mas mesmo assim estão sendo condenad@s, antes de haver julgamento. Estão em prisão preventiva. Sabemos que o motivo dessa prisão é a Caça ás bruxas que o estado chileno esta fazendo contra @s anarquistas e @s lutadorxs que ousam lutar contra a autoridade e o capitalismo.      ALERTA AO ESTADO CHILENO E SEUS SEGUIDORES    Nos dirigimos a vocês após o golpe repressivo e jornalístico do passado 14 de Agosto chamado "Operaçao Salamandra", onde nossxs companheirxs anarquistas foram detidxs e formalizadxs sob a acusaçao de "associaçao ilícita e colocaçao de artefatos explosivos”, ficando oito deles em prisao preventiva. E posteriormente dois delxs tendo sua saída às ruas revogada, ficando até agora 10 delxs em prisao preventiva.    A tao anunciada e esperada caça ao anarquista está se fazendo efetiva, após anos de penosas investigaçoes, com seus correspondentes vasculhamentos e invasoes, perseguiçoes, grampos telefonicos, intervençoes em correios eletrônicoos, etc, restando de tudo isso o amontoado mais absurdo de provas, que ofende a inteligência de qualquer pessoa com o mínimo de decência e respeito pela vida alheia. As maiores asneiras e armaçoes estao sendo usadas para justificar uma truculência deshumana que o Estado chileno está dirigindo axs que ousam se opor a seu domínio. Tao absurdas sao as provas que a fiscalia ainda dispoe de 180 dias para a investigaçao do caso.    Se vocês pensam que estaremos esperando impassíveis enquanto nossos companheirxs permanecem encarcerados nas prisoes de segurança máxima estao muito enganados!    Sabemos que tudo isto faz parte de um golpe ao avance da ofensiva contra o poder e a autoridade. Nao existem líderes, nem financamento internacional, nem organizaçao hierarquica alguma mais do que a turva imaginaçao do fiscal Peña.    Diante deste teatro político-jornalístico nossa posiçao é clara:    NAO VAMOS DESCANSAR ATÉ VER NAS RUAS A TODXS NOSSXS IRMAXS! 
SE COLOCAREM UM DEDO ENCIMA DE UM/UMA ESTAO MECHENDO COM TODXS! SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL COM XS ANARQUISTAS PRESXS! * To be removed from this mailing list please visit * *
http://www.cutandpastescripts.com/cgi-bin/newsletter/r.pl?dduenhas/ *

sábado, 4 de setembro de 2010

Deus e o Estado (1871)



Esta edição de Deus e o Estado, cujo título não foi de autoria de Bakunin, recupera a primeira, de 1882, organizada por Carlo Cafiero e Elisée Reclus, publicada em Genebra pela Gráfica Juraciana. No livro Bakounine - combats et idées, lançado pelo Instituto de Estudos Eslavos, Paris, 1979, p. 242, afirma Pierre Pécheaux em artigo intitulado "1882 - Deus e o Estado, editado por Carlo Cafiero e Elisée Reclus": "Este escrito, que é um fragmento da 2ª edição do Império Cnuto-Germânico e a Revolução Social, e o mais conhecido da obra de Bakunin, traduzido para uma quinzena de idiomas, é objeto de pelo menos 75 edições. De 1882 a 1973, levantamos 71 edições em quinze idiomas diferentes". Neste mesmo livro há um outro artigo - "Balanço das publicações" -, onde Pécheaux declara que houve quatro versões de Deus e o Estado: a primeira, de 1882, de Carlo Cafiero e Elisée Reclus; a segunda, de 1895, de Max Nettlau; a terceira, uma combinação dos textos contidos nas duas anteriores e a quarta, do citado Nettlau, acrescida de outros escritos de 1870 e 1871. Em função dessas combinações variadas de textos, cria-se a confusão durante muitos anos a respeito do conteúdo de Deus e o Estado, título que coube a Carlo Cafiero, na edição de 1882, mas que foi aproveitado em diferentes edições subsequentes.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Migrantes nordestinos são escravizados em Mato Grosso do Sul

Empregados da Fazenda 3R, em Figueirão (MS), não recebiam há meses. Sem salários, acabavam se endividando para comprar alimentos e itens básicos na cantina de área em nome da Itararé Administração e Participação Ltda.

Por Bianca Pyl

Recrutados para "limpar" a área e formar pastagem, trabalhadores aliciados pela empreiteira Sadomil Empreitadas entre novembro de 2009 e março de 2010 nos estados nordestinos do Maranhão, Piauí e Pernambuco foram libertados da Fazenda 3R, no município de Figueirão (MS).

O grupo de 14 pessoas foi encontrado em condições análogas à escravidão junto com um casal local e um adolescente de 16 anos, morador de Campo Grande (MS), pela comitiva formada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pela Comissão Permanente de Investigação e Fiscalização das Condições de Trabalho em Mato Grosso do Sul (CPI/FCT). Ocorrida entre 18 e 19 de agosto, a operação foi motivada por uma denúncia feita à PRF. A propriedade pertence à Itararé Administração e Participação Ltda. e possui cerca de 10 mil hectares de extensão.

Risco: Trabalhador improvisava luva com meias velhas para aplicar agrotóxico (Foto: MPT/MS)

As vítimas chegaram à fazenda sem registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e sem a Certidão Declaratória, que deve ser emitida pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) mais próxima do local de origem dos contratados. "A ausência de registros dos contratos de trabalho priva os trabalhadores de seus direitos sociais", afirma Simone Rezende, procuradora do trabalho que coordenou a ação.

Os empregados estavam sem receber salários há aproximadamente três meses. Diante disso, viam-se obrigados a comprar alimentos e outros itens básicos na cantina da fazenda. Os produtos eram comercializados por preços muito superiores aos de mercado. Uma caixa de suco, por exemplo, chegava a custar espantosos R$ 20. A fiscalização apreendeu o caderno de anotações das dívidas dos trabalhadores como prova da irregularidade.

Além de impedidos de retornar aos seus lares pela falta de recebimento regular dos salários e ainda por conta das dívidas contraídas junto à cantina, os empregados corriam riscos de contaminação. Eles aplicavam agrotóxicos sem nenhum Equipamento de Proteção Individual (EPI).

As jornada exaustivas também faziam parte da lista de ilícitos cometidos pelo empregador. A rotina diária começava às 4h30 da manhã e se estendia até às 17h. A pausa para almoço era irregular e o descanso semanal também. Não havia pagamento de horas extras.

Degradação: alojamento era feito de lona e a cama, de restos de madeiras (Foto: MPT/MS)

De acordo a procuradora Simone, os alojamentos eram barracos de lona preta. As camas era feitas de forma improvisadas. Os empregados tinham que comprar os próprios colchões, que custavam R$ 150 na cantina. "Eram colhões de espuma, finos e fora dos padrões de densidade mínima".

Não havia instalações sanitárias no local, só uma fossa cavada há pouco mais de um mês pelos próprios trabalhadores. Os empregados tomavam banho em uma bica da represa, mesma fonte em que o gado bovino saciava a sede e da qual era retirada a água para consumo e preparo dos alimentos.

Após a ação, as carteiras foram registradas com data retroativa e os auditores realizaram a rescisão indireta dos contratos. O empregador pagou mais de R$ 124 mil, incluindo valores referentes ao dano moral individual e às passagens de retorno dos empregados aos municípios de origem.

Os responsáveis também se comprometeram, por meio da assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a pagar R$ 15 mil em danos morais coletivos. O montante será destinado para a compra de em equipamentos médicos e móveis para três entidades beneficentes: a Sociedade de Proteção aos Idosos de Camapuã (MS), à Associação Beneficente de Camapuã (MS) "Casa de Amparo a Criança Menino Jesus" e à Associação de Pais e Amigos de Crianças Excepcionais de Alcinópolis (MS).

Segundo a procuradora Simone, a fiscalização deve prosseguir em busca de informações das empresas ligadas à Fazenda 3R. "Por causa da gravíssima situação dos trabalhadores, nossa preocupação era garantir a segurança e os direitos das vítimas. Mas a investigação ainda não acabou".

A Repórter Brasil não conseguiu encontrar representantes da fazenda.