quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Cordel e repente I
DE JUAZEIRO DO NORTE A BRASÍLIA, CORDEL E REPENTE SEMPRE ENCONTRAM SEU ESPAÇO, QUALQUER QUE SEJA A TECNOLOGIA
Volto ao tema “Cordel e Repente” para dizer que o que, dentre os aspectos comuns dos do cordel e do repente, observa-se é que cordelistas e repentistas utilizam-se das mesmas formas, ou seja, decassílabos, sextilhas, sétimas e outras formas (O site da Academia Brasileira de Literatura de Cordel - ABLC - relaciona as principais).
Além disso, assim como as cantorias, o cordel tem uma grande tradição oral, pois, em uma época na qual poucos tinham a habilidade da leitura, muitos decoravam os versos e repassavam declamando ou cantando, como testemunha o poeta Arievaldo Viana ao contar que a avó Alzira de Souza Lima costumava ler os folhetos em voz alta "para deleite de crianças e adultos" (Acorda Cordel, Editoras Tupinanquim e Queima Bucha, 2006, p. 15).
Leonardo Mota, em sua obra “Cantadores”, define estes como “poetas populares que perambulam pelos sertões, cantando versos próprios ou alheios; mormente os que não desdenham ou temem o desafio, peleja intelectual em que, perante o auditório ordinariamente numeroso, são postos em evidência os dotes de improvisação de dois ou mais vates matutos” (Cantadores, ABC Editora, 2002, 7ª Edição, p. 3).
De fato, o que se observa é que, mesmo os cantadores versados na arte da improvisação, costumam cantar versos “decorados”, ou seja, guardados na memória. Na medida em que esses versos são vertidos para o papel, nos já comentados folhetos, transformam-se em Literatura de Cordel.
Há quem diga, porém, que todo cordelista tem um pouco de repentista. O poeta Napoleão Maia Filho me disse isso certa vez, e não duvido, pois conheço cordelistas, como o já aqui citado Valdir Fernandes Soares, que, mesmo sem se declarar repentista, faz versos dos mais variados temas, em poucos minutos.
Eu mesmo, já tive algumas experiências bem interessantes, principalmente em abertura e encerramento de eventos, como na solenidade de Revitalização da Lira Nordestina, quando, ao receber a palavra, que me foi passada pelo amigo André Herzog, Reitor da Universidade Regional do Crato, me expressei assim:
É grande a alegria
Que me invade nesta hora,
Quando já se foi o dia
E a noite não fez demora.
Pois não fosse a poesia,
O que mais é que faria
Estarmos aqui, agora?
Porque os versos são mais
Que tinta sobre papel.
São emoções que abrandam
Todo esse mundo cruel.
Brilhando em nossa cultura,
Quem mais que a literatura,
Do nosso lindo cordel?
Por isso, caros amigos,
Aqui me faço presente,
Pra falar da emoção
Que todo poeta sente
Quando vê autoridades
Unirem suas vontades
Em favor da nossa gente.
Outra oportunidade interessante ocorreu em março de 2006, quando estive em Brasília, para participar de um programa de televisão. Chegando ao hotel onde iria ser gravada a entrevista, lá estava o ator cearense José Wilker, que estava na Capital Federal gravando a minissérie “JK”, na qual ele interpretava Presidente Juscelino. Ao vê-lo, a repórter Rafaela Vivas Cardoso, que me entrevistaria, perguntou se eu faria versos tendo o presidente como tema. Perguntei: “O presidente ou o ator?”; e ela respondeu: “Os dois”. Menos de uma hora depois que a entrevista terminou, estavam prontos os versos abaixo, os quais pus em um envelope e pedi ao rapaz de recepção que entregasse a José Wilker:
Eu estava em Brasília, outro dia,
Divulgando a poesia de cordel,
Quando, na recepção de um grande hotel,
Percebi que um artista ali havia,
Cuja arte não é bem a poesia,
Mas nos toca igualmente a emoção.
No teatro ou na televisão,
Era um grande ator que ali estava,
Sendo que, pelo seu jeito, aguardava
A equipe que faria a gravação.
Mas o fato que fez a situação
Se tornar ainda mais interessante
Foi sentir que, naquele mesmo instante,
Ocorreu-me a seguinte impressão:
Que, olhando para aquele cidadão,
Ao invés de ver apenas o artista,
Era como se eu pousasse a minha vista
Na pessoa desse grande personagem
Que o ator representa na filmagem
Para que, na TV, a gente assista.
De quem falo, já foi capa de revista,
Só novela já fez bem umas cinqüenta.
Hoje, numa minissérie, representa
Um mineiro que foi grande estadista;
Que na sua trajetória progressista
Nos mostrou como um homem competente
Fez o nosso Brasil andar pra frente,
Dirigiu o país com muito amor.
Olhei para José Wilker, o ator,
E enxerguei JK, o presidente.
Alguém tinha me falado, antigamente,
Que um grande ator é desse jeito.
Atuando de um modo assim perfeito,
Faz confusa dessa forma nossa mente.
Mesmo quando o ator, fisicamente,
Não parece tanto assim com o personagem,
Ele adota a postura e a linguagem
E mergulha na história com fervor.
Foi assim que José Wilker, o ator,
Se tornou de Juscelino a imagem.
Para ir finalizando essa homenagem
A Zé Wilker e também a Juscelino,
Eu aplaudo o sorriso de menino,
O sucesso, o trabalho e a coragem.
Quando eu iniciei essa viagem
Não pensei que estaria reservado
Um encontro assim, tão inusitado
Entre eu, o ator e o presidente.
José Wilker, parabéns pelo presente.
Juscelino, parabéns pelo passado.
Versos assim são feitos realmente em alta velocidade, mas nada que se compare aos repentes de Ivanildo Vilanova, Zé Luís (de Mossoró), ou dos Nonatos, que já fizeram repente até com o mote “O planeta movido à Internet/ É escravo da tecnologia”, criando maravilhas como:
O visor como tela de TV,
O teclado acessível como book
Pra maiúsculo ou minúsculo é Caps "Look" (Lock)
Pra mandar imprimir é Control P
Com o micro'' Sansung e LG
e os programas que a Apple financia
A indústria da datilografia
nunca mais vai fazer máquina Olivetti
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Quem se pluga em milésimo de segundo
E se conecta ao portal e seus asseclas
Basta apenas tocar numa das teclas
que o visor nos transporta a outros mundos
Desde a terra dos solos mais fecundos
Ao espaço onde o vácuo se inicia
Quem formata depois cola, copia
e prende o mundo na grade de um disquete
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
A indústria se auto-destruindo
Descartou o compacto e LP
Veio o surto da febre do CD
e DVD mal chegou e já está saindo
MD não há mais ninguém pedindo
Nu''a DAT gravar ninguém confia
Fita BASF tem pouca serventia
e ninguém quer mais nem ver videocassete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Brasil SAT é mais uma criação
que nos nossos vizinhos deu insônia
O Sivam espiona a Amazônia
evitando que haja outro espião
É por via satélite a transmissão
que não tem transmissão por outra via
Uma antena seqüestra a sintonia
pra DirecTV, Sky e Net
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Transatlânticos no mar fazem cruzeiros
E pelos micros das multinacionais
Hoje tem conferências virtuais
com os executivos estrangeiros
O email é correio sem carteiros,
tanto guarda mensagem como envia
Os robôs usam chip e bateria
e videogame é brinquedo de pivete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Cibernética na prática e no papel
deixa os seres online e ganham IBOPE
Com Word tem Palm e laptop
e ainda mais PowerPoint e Excel
É possível quem mora em Israel
pelo Messenger teclar com a Bahia
Se os autômatos ganharem rebeldia
tenho medo que a máquina nos delete
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Pra prever terremotos e tufões
os sismógrafos têm números numa escala
E o trem-bala é veloz como uma bala
numa linha arrastando dez vagões
No Japão e na China as construções
já suportam tremor e ventania
Torre, ponte, edifício, rodovia
são perfeitos do jeito da maquete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Nosso pouso na lua foi suave,
um robô foi a Marte e se deu bem
Estão querendo ir ao Sol, mas o Sol tem
de calor um problema muito grave
Mas a NASA não tem espaçonave
que suporte essa carga de energia,
Se for feita de fibra, se desfia,
e de alumínio o monstrengo se derrete
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Motorola trocou técnica e conselho,
Nokia e Siemens galgaram patamares
Já estão fora de moda os celulares
que têm câmera e visor infravermelho
Reduzindo o tamanho de aparelho,
a Pantech fez mais do que devia
Que a memória de um chip não podia
ser mais grossa que a lâmina de um Gillete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Hoje a Bombardier não fere as leis
e a Embraer mãe de Sênecas e Tucanos
Invísivel aos radares há dois anos,
já existe avião que a Sukhoi fez
É da Nasa o XA-43
que voando tem mais autonomia
Um piloto automático opera e guia
o Airbus e o 747
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Arievaldo Viana no Centenário de Maria Bonit

Do fotolog Cordel na Escola
No dia 8 de março o poeta cearense Arievaldo Viana estará em Salvador-BA, a convite de Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria Bonita, participando de uma palestra sobre Maria Bonita na Literatura de Cordel.
APRESENTAÇÃO
O Centenário de Maria Bonita é uma iniciativa da OSCIP Sociedade do Cangaço que conta com a parceria da UNEB e o apoio da Biblioteca Pública do Estado da Bahia. A finalidade é realizar uma série de ações comemorativas sobre Maria Bonita: exposição, mostra de cinema, ciclo de palestras, entre outras atividades que foram pensadas para romper com um histórico silencioso sobre a importância da mulher no movimento do Cangaço. Geralmente, eventos que trabalham o Cangaço não enfatizam temáticas que discutem gênero, como também não delimitam o papel social da mulher na estrutura política do movimento. Neste sentido, o Centenário torna oportuno a abertura da temática gênero no tempo e espaço do Cangaço.
Os interessados devem realizar pré-inscrição online durante o período de 22 de fevereiro à 4 de março de 2010. As inscrições serão efetivadas presencialmente no local do evento nos dias 04 e 05 de março, conforme lista a ser divulgada.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Não é ajuda humanitária, é ocupação militar! - União Socialista Libertária

A União Socialista Libertária do Peru saúda os povos do mundo e aos companheiros que a nível mundial lutam incansavelmente contra o Imperialismo, o Capitalismo, a burguesia e os Estados, como cabeças da opressão a nível mundial, e alem disso manifesta sua solidariedade libertária e classista para com os setores oprimidos de ditos povos, que sofrem duplamente, os efeitos de um recente terremoto, e agora, a invasão norte-americana.
A tomada por parte do exército yanque do Aeroporto de Porto Príncipe (capital do Haiti), o toque de recolher desde as oito da noite, e as medidas limitativas ao trabalho de jornalistas estrangeiros a cujos governos se lhes adverte que não se responsabilizarão do que lhes ocorra e que inclusive poderiam ser presos; são uma mostra do caráter cada vez mais reacionário que evidencia esta ocupação militar. Além disso, esta situação extrema tem demonstrado também que os cascos azuis da Organização das Nações Unidas (ONU), são um simples destacamento avançado do exército imperialista de invasão internacional das nações oprimidas.
Como tem sido possível apreciar, a ampla cobertura jornalista que foi feita a chegada das forças navais norte-americanas carregadas, não só de suposta ajuda, se não de armamento de todo tipo, não agradou muito ao governo de Barak Obama, pelo qual se tem tomado conta de novas previsões mais estritas enquanto ao controle e manejo da suposta ?ajuda e reconstrução? do Haiti.
Por outro lado, depois do último tremor sísmico, o porta voz do Departamento de Estado norte-americano para as Américas, Gregory Adams, tem manifestado que isto gerou ?a necessidade de estender as operações dos militares estadonidenses?.
Não se trata desta vez de uma invasão ao típico estilo do garrote yanque, se não uma invasão encoberta, a qual parece ser a característica do regime encabeçado por Obama. Honduras, Afeganistão, e agora Haiti assim o demonstram.
O que não muda, como em outras operações encobertas, é que novamente aqui intervêm com muito ênfase a imprensa internacional ao serviço do imperialismo, maquiando a ocupação militar sob a máscara de ?luta contra o terrorismo? ou ?ajuda humanitária?.
Como libertários não podemos ficar silenciosos ante este avanço do Imperialismo que pretende retornar aos piores tempos da colonização. Se as forças socialistas e revolucionárias a nível latino americano e mundial deixem passar esta nova agressão, seremos não só cúmplices dela, se não cometeremos um erro irreversível.
A solidariedade ativa deve fazer-se presente. Por isto chamamos a outras forças revolucionárias a formar um bloco de resistência solidaria contra esta nova invasão do Império.
Por isto devemos impulsionar a conformação de uma Coordenadoria Internacional de Solidariedade com o Haiti, que exija não só a expulsão da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH) se não de todo o exército yanqui de ocupação. Esta e outras propostas que possam surgir no calor do apoio aos ?hermanos? haitianos devem ser levadas em conta, discutidas e postas em prática de acordo com a realidade de cada país.
Hoje nós devemos convocar e colocar em marcha a Solidariedade como arma carregada de humanidade e esperança. Hoje não nos devem separar bandeiras, fronteiras, cores, distâncias nem diferenças de nenhum tipo que nos impeçam de unir forças por um povo esquecido que serve como terreno de prática para as ocupações armadas que pretende impor o Imperialismo.
Faz três anos foi o povo Ica no Perú, que sofreu com os estragos da natureza e a indolência de um sistema que se desnudava como impotente frente a dor humana e que só deixava notar mais ainda as enormes distâncias existentes entre ricos e pobres em nosso país. O governo peruano até agora não cumpriu as promessas de reconstrução da cidade devastada. Até hoje nossos irmãos seguem dormindo nas ruas.
Sabemos que quando se empreendem ditos ?chamados de ajuda para os mais pobres? por parte dos governos e setores empresariais que acabam em corrupção, apropriação dos recursos e malversação de fundos. Estes mesmos vêm ocorrendo com o Haiti, onde se pode observar que a população segue em caos e desespero ao não chegar a comida, medicinas, roupa ?enviadas solidariamente?. Ao menos em nosso país não se pode esquecer pontos de coleta para o envio de ajuda, já existem diversas contas bancárias prontas para a ?colaboração?. Chegará esse dinheiro e a suposta ajuda até o Haiti?
Agora, acreditamos que todos os setores com intenção revolucionária, de avanços, socialistas e libertários devem gerar mecanismos de denuncia da estratégia voraz do Imperialismo e seus aliados capitalistas e de apoio para a reconstrução do povo do Haiti.
Por ele, exortamos ao proletariado e ao povo haitiano, a brecar tenazmente esta conjuntura adversa, e construir por cima das ruínas que hoje os rodeiam, sua liberação, como trabalho heróico próprio, desde abaixo por sua emancipação social e resistir a invasão militar capitalista.
Contem com a solidariedade ativa de todos os que lutam a nível internacional pela construção e a instauração do Socialismo e da Liberdade dos povos.
¡Fora tropas de ocupação do Haiti!
¡Contra a farsa humanitária do Imperialismo!
¡Fora yanques de Haiti!
¡Solidariedade ativa e militante com o povo haitiano!
¡Contra o aproveitamento político e econômico da crise no Haiti!
¡Arriba los que luchan!
Livre tradução para a Rede Libertária/BR: Juvei
Haiti: Por que a ajuda vem armada?
Haiti: Por que a ajuda vem armada?

Mais de uma semana depois do terremoto, a ajuda finalmente começa a chegar nas cidades do interior do Haiti e os/as haitianos/as perguntam: por que a ajuda vem armada? Não há uma guerra no Haiti, por que as armas? A ONU declarou que quer primeiro cuidar da segurança no país para depois darem auxílio. Notícias divulgadas pela mídia corporativa fala de caos e assaltos nas ruas do Haiti, matérias sobre presos terem conseguido escapar da cadeia depois do terremoto e relatos de saques tomam boa parte do que vem sido divulgado pela "grande mídia".
Entretanto, relatos de meios de comunicação independentes e organizações sem fins lucrativos que estão no Haiti desmentem que exista um problema com "segurança" no país. A jornalista independente Amy Goodman, apresentadora do programa DemocracyNow!, dos Estados Unidos, está no Haiti desde o começo desta semana. "Eles estão recebendo quase nenhuma ajuda. Passamos de uma família para outra, e eles disseram, continuamente, que suas vidas estão nas mãos de Deus. A própria ONU fez a declaração sobre a segurança. E nós queríamos saber a que eles estavam se referindo. Andamos livremente de um lugar para outro. As pessoas estão desesperadas, mas certamente pacíficas."
Ela também relata que a ajuda está centralizada no aeroporto em Porto Príncipe e que não está indo para o resto do país: "E o que fizemos ontem foi o que apenas alguns jornalistas fizeram: saímos de Porto Príncipe e fomos ao longo da costa para Carrefour e Léogâne. Este é o epicentro. Lá é onde a ONU emitiu sua declaração, dizendo que eles reconhecem que 90% dos edifícios caíram, que milhares de pessoas foram mortas. Mas, segundo eles, a menos que pudessem garantir a segurança, eles não iriam fornecer ajuda lá. Isso é tremendamente assustador."
Links: DemocracyNow! Terça 19 de janeiro (Inglês com transcrições traduzidas para o Espanhol) | DemocracyNow! (Inglês com transcrições traduzidas para o Espanhol).
O doutor Evan Lyon, que vem trabalhando no Hospital Geral (o maior hospital do Haiti) disse em entrevista para o DemocracyNow!: "Eu estou vivendo num bairro com o meu amigo. Estou ficando com alguns colegas médicos haitianos. Nós estamos circulando pelas ruas entre uma e duas da manhã, movendo pacientes, movendo suprimentos, tentando fazer o nosso trabalho. Não há segurança. A ONU não está nas ruas. Os EUA também não estão nas ruas. A policia haitiana não estão conseguindo ficar nas ruas. Mas também não há insegurança. Eu não sei se vocês estavam do lado de fora ontem a noite, mas você consegue ouvir até um pingo d'água nessa cidade. Esta cidade é um lugar pacífico. Não há uma guerra. Não há uma crise, a não ser o sofrimento que está ocorrendo."
Além disso, Amy Goodman fala sobre a extrema organização da população nos acampamentos de refugiados montados por todo o país, cada um com cerca de mil pessoas: "... eu penso que nós estamos falando de anarquia do governo, a incrível força comunal da comunidade. Estes campos de refugiados, esses campos menores e maiores que o número chega na casa dos milhares, são comunidades organizadas. À noite, eles colocam pedras na rua. Se você não conhecesse essas comunidades, você diria: 'O que está acontecendo aqui? Certo? São estes, você sabe, os anarquistas? Eles são violentos? Eles estão ameaçando?' Eles estão protegendo suas comunidades e aqueles que estão dentro. E eles não querem que as pessoas de fora entrem, especialmente à noite. É extremamente organizado a nível local, entre bairros, as pessoas ajudando-se mutuamente."
O jornalista Kim Ives, que está viajando junto com o DemocracyNow! responde a pergunta de Amy Goodman sobre a organização das comunidades: "Oh, e as organizações comunitárias, nós vimos na outra noite em Mateus 25 (bairro onde há um alojamento com cerca de 600 pessoas desabrigadas), a comunidade onde nós estamos ficando. Um descarregamento... um caminhão cheio de comida veio no meio da noite sem avisar. Poderia ter ocorrido uma briga. A organização da população local foi contactada. Eles mobilizaram imediatamente os seus membros. Eles vieram. Organizaram um cordão. Enfileiraram cerca de 600 pessoas que estão ficando no campo de futebol atrás da casa, que também é um hospital, e eles distribuíram a comida de forma ordenada, em porções iguais. Eles eram totalmente auto-suficientes. Eles não precisam dos "Marines". Eles não precisam da ONU. Eles não precisavam de nenhuma dessas coisas que estão nos falando que eles precisam, ditas também pela Hillary Clinton e o ministro do exterior. Essas são coisas que as pessoas podem fazer por elas mesmas e estão fazendo por elas mesmas."
Na manhã da quarta-feira, 20 de Janeiro, houve outro tremor, e ainda não se sabe que prédios foram atingidos pelo tremor e quais foram as vítimas. Mas é lógico que isso traz pânico à população que teme por suas vidas. Ninguém sabe se haverão outros tremores. Por enquanto os grupos de ajuda continuam chegando e os que já estão no país estão trabalhando dia e noite construindo hospitais, atendendo as pessoas e distribuindo água e comida. Mesmo assim muita gente está morrendo por falta de cirurgia, o grupo de ajuda médica Partners in Health disse que cerca de 20.000 pessoas estão morrendo por dia que poderiam ser salvas com cirurgia.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Em 7 anos, apenas três terras Guarani foram homologadas
Levantamento da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) revela ainda que 80% dos territórios Guarani localizados nas regiões Sul e Sudeste do país não foram regularizadas até agora ou se encontram regularizadas com pendências
Por Bianca Pyl
Do total de 74 Terras Indígenas (TIs) homologadas pelo governo federal do início de 2003 até outubro de 2009, apenas três contemplam o povo Guarani, uma das maiores populações indígenas do país. Levantamento da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) revela que 80% dos territórios Guarani localizados nas regiões Sul e Sudeste do país não foram regularizados ou se encontram regularizados com pendências.E mais: 50 das 120 terras com presença Guarani não estão sequer reconhecidas nas estimativas oficiais e, portanto, não são sequer divulgados pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Os dados fazem parte do livro "Terra Guarani no Sul e no Sudeste", lançado pela CPI-SP no final do ano passado.
O povo indígena Guarani representa 10,2% do total de índios em território nacional e abrange mais de 55 mil índios, distribuídos principalmente nas regiões Sul (RS, SC, PR), Sudeste (SP, RJ, ES) e Centro-Oeste (MS). Existem Guarani em outros quatro países: Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.
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Indío Guarani de São Paulo participa de debate no CPI-SP (Foto: Carlos Penteado) |
A associação dos indígenas a uma suposta pureza e isolamento está difundida no imaginário popular. Os índios que usam roupas, telefone celular e vivem próximos das grandes cidades fogem deste estereótipo, como é o caso dos Guarani do Sul e Sudeste. Por essa razão, são vistos com preconceito. "É como se o fato de estarem mais próximos de nós fizesse com ques fossem menos ´legítimos´. Os Guarani são com freqüência acusados de serem nômades e aculturados. Tais estratégias de descaracterização desta etnia são pautadas por observações absolutamente superficiais em relação ao seu modo de vida", coloca Daniela.
Ações
Atualmente, os principais entraves na regularização das TIs Guarani estão nos conflitos com agentes particulares que disputam os territórios, a especulação imobiliária, os grandes empreendimentos públicos e privados, além do interesse de mineradoras e madeireiras.
Entre as 97 ações judiciais envolvendo 43 terras Guarani, 37 são ações contrárias aos indígenas. De acordo com a CPI-SP, existem 26 situações nas quais as terras com presença Guarani são disputadas por terceiros que reivindicam a propriedade ou posse de tais áreas.
"A ação do Ministério Público Federal (MPF) tem sido fundamental para a garantia dos direitos indígenas, de uma forma geral. A atuação do órgão não se limita à esfera judicial, mas também na instauração de inquéritos, além de outras formas de acompanhamento de disputas envolvendo esses povos", explica a advogada Carolina Bellinger, assistente de coordenação da CPI-SP.
O MPF é autor de 24 demandas envolvendo 30 TIs com presença de Guarani nas Regiões Sul e Sudeste. Cinco ações propostas pelo órgão pedem agilidade na demarcação das terras de Araça´í, Conquista, Morro Alto, Pindoty, Piraí, Tarumã, Tapera e Yaka Porã, em Santa Catarina, e as terras de Peagoaty e Pindoty, situadas no Estado de São Paulo.
A TI do Jaraguá é um exemplo de área homologada com dimensão diminutas: o local possui apenas 1,75 hectares para 343 pessoas. É a menor em todo o Brasil. "Um território indígena deve ter espaço suficiente para que o grupo possa se reproduzir física e culturalmente", comenta Daniela. De acordo com ela, viver em territórios pequenos afeta a coleta de matéria-prima para a produção de artesanato; prejudica as atividades de caça e pesca, a agricultura e as trilhas de acesso às outras aldeias próximas.
Uma das consequências mais graves é a insegurança alimentar das populações Guarani. "Sem um território adequado para a subsistência, o grupo passa a depender cada vez mais de produtos industrializados. E a inexistência de renda suficiente para o consumo adequado destes produtos gera um estado de vulnerabilidade no grupo", conclui a antropóloga.
Por conta do espaço restrito, atualmente há pelo menos 17 casos de terras Guarani do Sul e Sudeste em processo ou que reivindicam a revisão de seus limites. "Os pedidos de revisão de limites costumam ser muito demorados para serem atendidos, igual aos processos de homologação de terras ainda não regularizadas. Uma coisa é a Funai iniciar o processo de revisão de limites e outra é proceder de fato essa revisão com a demarcação de uma nova área", lamenta Carolina, advogada ligada à comissão.
Conservação
Quase a totalidade das terras Guaranis existentes no Sul e Sudeste (90%) estão localizadas em áreas de Mata Atlântica. Isso gera problemas de sobreposição com as Unidades de Conservação (UCs), e consequentemente cria obstáculos para a regularização, como no caso de 18 terras na região.
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Aldeia Boa Vista, em São Paulo, localizada em área de Mata Atlântica (Foto: Carlos Penteado) |
Para o subgrupo denominado Mbyá e também para os Nhandeva, a biodiversidade da Mata Atlântica é parte constitutiva das práticas sociais desta etnia, de acordo com Daniela. A questão da sobreposição de TIs com UCs é um tema considerado complicado, principalmente com as unidades de proteção integral, que não permitem a presença humana.
Para a pesquisadora, os Guarani não podem ser vistos como um entrave à preservação da Mata Atlântica, mas sim como um agente que contribui para a conservação do que ainda restou do bioma. "A criação de tais unidades para proteger os 7% de Mata Atlântica que ainda restaram é necessária e legítima. Contudo, não se pode negligenciar que a mata é ocupada pelo povo Guarani desde antes de todo o processo de devastação do bioma".
A solução para este conflito seria a política ambiental incorporar os indígenas em suas ações, buscando soluções que conciliem seu direito originário à terra com a efetiva preservação, sugere um trecho do livro publicado pela CPI-SP, organização não-governamental (ONG) fundada na capital paulista em 1978. No caso de sobreposição de TIs a UCs, a mudança de limites de determinada unidade pode ocorrer por meio de uma lei aprovada nas câmaras municipais, nas assembléias legislativas ou no Congresso Nacional, de acordo com o tipo de UC - municipal, estadual ou federal.sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
O Rap é proibido em São Lourenço, no sul de Minas Gerais
Segundo o sítio G1, o prefeito de São Lourenço, no sul de Minas Gerais, proibiu foliões de ouvirem funk e rap neste carnaval. Quem desafiar a ordem pode ficar por até seis (6) meses na cadeia. A decisão foi tomada com apoio da Polícia Militar e da Justiça.
Para o prefeito, José Sacido Barci Neto,"São movimentos de massa muito condensados, que exigem uma estrutura melhor de coordenação, controle e segurança, que uma festa pública como o carnaval não nos permite adotar".
Quem for surpreendido ouvindo funk ou rap durante os dias de folia vai ter que desligar o som, ou vai parar na delegacia por crime de desobediência. O crime pode render até seis meses de prisão.
12/02/2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
O BLOG RETALHOS DO MODERNISMO DISPONIBILIZOU TODOS OS LIVROS DE DOMÍNIO PÚBLICO DO LIMA BARRETO.
O BLOG RETALHOS DO MODERNISMO DISPONIBILIZOU TODOS OS LIVROS DE DOMÍNIO PÚBLICO DO LIMA BARRETO.
BASTA ENTRAR NO BLOG. A POSTAGEM ESTÁ NO FINAL DA PÁGINA DE ROSTO.
O LINK DO BLOG RETALHOS DO MODERNISMO É: =
http://literalmeida.blogspot.com
A RELAÇÃO DOS LIVROS É ESTA:
A MULHER DO ANACLETO
A NOVA CALIFÓRNIA
CARTA DE UM DEFUNTO RICO
CLARA DOS ANJOS
CONTOS DE LIMA BARRETO
CRÔNICAS DE LIMA BARRETO
DIÁRIO ÍNTIMO
EFICIÊNCIA MILITAR
FUI BUSCAR LÃ...
HISTÓRIAS E SONHOS
MANEL CAPINEIROS
MARGINALIA
MILAGRE DO NATAL
NUMA E A NINFA
O CAÇADOR DOMÉSTICO
O CEMITÉRIO DOS VIVOS
O FALSO DOM HENRIQUE V
O FILHO DE GABRIELA
O HOMEM QUE SABIA JAVANÊS
O NÚMERO DA SEPULTURA
O PECADO
O SUBTERRÂNEO DO MORRO DO CASTELO
O TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA
O ÚNICO ASSASSINATO DE CAZUZA
OS BRUZUNDANGAS
QUASE ELA DEU O "SIM", MAS...
RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA
TRÊS GÊNIOS DE SECRETÁRIAS
UM ESPECIALISTA
UM QUE VENDEU A SUA ALMA
VIDA URBANA
SITE DO DOMÍNIO PÚBLICO
(Luiz de Almeida - http://literalmeida.blogspot.com )
E se o cimento fosse feito a partir de cannabis?

E se o cimento fosse feito a partir de cannabis?
Paul Miles / Exclusivo Financial Times
03/02/10 06:50
No Reino Unido e em França, usar cânhamo (uma espécie de cannabis) na construção é uma prática cada vez mais comum.
"Alguns devotos pensam que é a resposta para tudo", afirma Pete Walker sobre o cânhamo. "Pode comer-se [é rico em óleos omega-3 e omega-6], utilizar-se como loção corporal, vestir-se, escrever-se - e, obviamente, fumar-se - mas o nosso interesse recai sobre a possibilidade de ser utilizado na construção".
O director do Centro de Materiais de Construção Inovadores do Instituto de Investigação da Construção do Reino Unido na Universidade de Bath iniciou recentemente um projecto de 856 mil euros (740 mil libras), financiado pelo governo do Reino Unido e pelo sector da construção, para estudar e desenvolver a utilização deste material na construção. A pesquisa é sustentada em mais de mil anos de história. Arqueólogos em França descobriram uma ponte do século VI em que as pedras foram ligadas com argamassa à base de cânhamo.
Ao longo de milhares de anos, o cânhamo tem sido cultivado pelas suas fibras que são usadas para fazer cordas e têxteis. Também conhecido por ‘Cannabis sativa', era tão importante para a economia durante o reinado de Henrique VIII que os agricultores eram obrigados a cultivá-lo.
Das estrebarias para a construção
É o espesso núcleo interno da planta do cânhamo, o subproduto que resulta dp "desperdício" da extracção das fibras, que é usado na construção. Na prática, o cânhamo substitui o inerte - pedras e gravilha - que é normalmente utilizado na mistura com o cimento para formar betão. A Lime Technology, uma das empresas líderes na construção à base de cânhamo, denomina o seu produto de "hemcrete" - "betânhamo".
Tradução de Carlos Jerónimo
Do Site e link original:
http://economico.sap...abis_80541.html
03/02/10 06:50
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Sobrevivente de Auschwitz monta banda de rap!
download http://www.lokodocerrado.com/
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Mais Uma Jornada De Protestos Contra o RACISMO, O Preconceito, a intolerância, e a Discriminação!

06/02 - Taboão da Serra: Das 12H às 20H.
Maracatu- Música Popular – Regicídas – Servidores do Rap Ataque e Resistência- Revolta Popular – Versos em Brisa- Roda de Capoeira e mais… FILME NO TELÃO: BASTARDOS INGLÓRIOS PALESTRA: O sindicalismo revolucionário e Antifascismo( Idílio-FOSP/ COB)
Espaço Cultural Resistência e Ousadia – Rua José Maciel, 584 – Centro Taboão da Serra.
13/02 ATO E PANFLETAGEM EM DIADEMA ÀS 12H
LOCAL: PRAÇA LAURO MICHELS - CENTRO
20/02 - RIO PEQUENO: (na Quadra)Pça. Do Brasil-Japão às 15H.
RAP- PUNK- MPB – SAMBA – DANÇA DE RUA – CAPOEIRA
EXPOSIÇÕES E MUITO PROTESTO. (Próx. a favela do Sapé)
21/02 - BRASILÂNDIA (Z/N): MARACATU- CAPOEIRA ANGOLA- VIDEO-BATEPAPO- BANDAS: PUNK- RAP…Rua Xavier da Silva Ferrão, 31- EMEF Morro Grande
27/02 - PRAÇA DO PATRIARCA (CENTRO) ÀS 10H.
MANIFESTAÇÃO PÚBLICA: MICROFONE ABERTO- DENÚNCIAS – EXPOSIÇÕES – RODA DE CAPOEIRA – MÚSICA MURAL ANTIFASCISTA E MUITO MAIS…
“VENHAM PARTICIPAR CONOSCO.” ESSA LUTA É DE TODOS E TODAS NÓS!” ORGANIZAÇÃO: MOVIMENTO ANARCO PUNK DE SÃO PAULO (MAP/SP) CAIXA POSTAl: 1677 CEP: 01032-970 SP/SP – e-mail: map.sp@anarcopunk. org www.anarcopunk.org/mapsp
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Caravana do Cordel retoma as atividades e homenageia o pioneiro Chagas Batista

A Caravana do Cordel convida para para o tradicional
ENCONTRO COM A POESIA DE CORDEL
em homenagem aos
80 ANOS DE MORTE DE FRANCISCO DAS CHAGAS BATISTA
Na programação
FEIRA DE LITERATURA DE CORDEL
RECITAL DE POESIA
EXPOSIÇÃO DE XILOGRAVURA
MÚSICA & LEITURA DE CORDEL
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Atração Especial
Exposição de esculturas em madeira do artista pernambucano Dé Pajeú
Lançamentos

Viagem com o Pavão Misterioso, de Marcos Linhares

O Coronel Avarento, de Josué Gonçalves de Araújo

As proezas de Adeládio, de Luiz Wilson
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A Caravana do Cordel é um movimento-escola formado por poetas e entusiastas do cordel que resolveram promover esse tipo de produção literária a partir do encontro com o público em geral. Desde o ano passado que os encontros acontecem mensalmente no Espaço Cineclubista na Rua Augusta em São Paulo. Este convite é para a abertura da temporada de 2010 no mesmo local e hora. Nosso lema é Um mundo de cordel para todo mundo e em nosso encontro estarão presentes os maiores nomes do cordel em São Paulo, bem como cantores convidados e estudiosos. Agradecemos a sua presença.
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sábado dia 6 de fevereiro às 19h30
Espaço Cineclubista
Rua Augusta, 1239 Centro
Metrô Consolação
(entrada franca)
A Editora Luzeiro apoia esse evento.
http://marcohaurelio.blogspot.com/
http://fotolog.terra.com.br/marcohaurelio